Longfic - Zayn Malik (Várias Vezes)

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Capítulo um. – Campelina, que cidade é essa? 

           Era uma cidade pequena, as pessoas lá não haviam se acostumado ainda com tanta tecnologia que tinha nas cidades grandes, Zayn Malik acabará de descer da caminhonete velha da sua tia, a mesma que havia ido buscar ele e suas irmãs na rodoviária. Três horas de viagem de lá até a pequena cidade, com mais ou menos 15 mil habitantes. Era muito pouco em comparação a que Zayn estava acostumado. Apanhou suas bolsas na parte de trás da caminhonete sem tirar os fones de ouvido do iPhone que tinha sido lançado a poucos dias. Doniya irmã de Zayn correu pra dentro da casa para escolher os melhores quartos. O sol bateu sobre os cabelos recém-pintado de Zayn, ele parou analisando a casa assim que sua tia saiu com a caminhonete. Pra ele a casa parecia um tipo de casa do campo rústica, tinha todo um gramado bem verde meio-cortado por volta de toda a casa, havia uma escada de três degraus largos de cimento, um corrimão branco recém-pintado também. Zayn reparou também a casa, toda de madeira nova, em horizontal com um estilo bem rústico, haviam janelas de vidros por toda a casa, assim como paredes de vidro na parte de baixo, de dois andares aparentemente, e ao lado esquerdo que Zayn olhava ele podia ver uma extensa sacada com algumas cadeiras de balanço e churrasqueira. Apanhou suas bolsas do chão e tentou equilibrá-las, olhou pra trás e conseguiu ver a casa da frente, e olhando pro lado esquerdo além da estrada conseguia ver as casas ao lado, muitas árvores para todos os lugares que ele olhava, muretas baixas em volta de todos as casas também, e muita luz acessa. Ele ponderou a ideia de já ser umas oito e meia, não estava escuro ainda, mas escurecia, de onde estava não via o pôr do sol mas imaginou que da sacada que tinha no segundo andar ele conseguiria ver.

           Ninguém o chamou, e ele escutou risadas vindo da casa, pessoas gritando, na verdade, meninas gritando e ele imaginou que fosse suas primas, na verdade o palpite era certo, a música voltou a tocar em seu ouvido e ele perdeu todo aquele som maravilhoso que até então ele não se importava. Retesou os ombros e lembrou novamente dele dizendo que não queria sair do seu lazer e da sua casa de mosquitos para ir pra um lugar que ele nunca havia visitado antes com pessoas que ele nunca havia visto antes, fazer coisas que ele nem imaginaria que poderia ser feitas antes. Infelizmente a esse ponto ele já estava muito longe de Bradford e não teria mais volta, lá se ia seus trinta dias de férias em um lugar totalmente diferente do seu habitual, com uma temperatura diferente do que ele estava acostumado.
           Para a sorte de suas irmãs, as aulas tinham sido pausadas por trinta dias por conta de uma nova doença que ainda não tem nome que se espalhou com rapidez por toda a cidade, fazendo então tudo entrar em quarentena, escolas, hospitais, mercados, empresas e o que mais fosse preciso, então decididos a família Malik resolveu ficar algumas horas em um avião e depois três horas em uma caminhonete pra casa de uns parentes que Zayn não fazia a menor ideia de qual parte da família vieram, mas ele sabia que eram seus parentes e que eram chatos já que vieram falando sobre aventuras de crianças, Zayn nunca agradeceu por ter algumas capinhas de bateiras reservas para o seu celular.

           Viu o céu escurecer mais e resolveu então entrar pra casa, empurrou a porta de madeira branca tendo acesso a uma bela sala enorme aos seus olhos, era maior que a sua casa inteira em Bradford, Zayn encolheu os ombros e ele estava sozinho ali na sala, dois enormes sofás brancos, e uma televisão um pouco acima de uma lareira simples azul de pedras, havia ventiladores por todos os lugares, e todos estavam ligados. Zayn se sentiu com frio e olhou rapidamente pelo lugar, pensou em tirar os fones para ver se ouvia alguém, mas desistiu e resolveu ir em direção a escada que ficava um pouco ao lado do sofá maior e era de vidro grosso mas em todos os degraus tinha um carpete azul-escuro os cobrindo, Zayn pisou com firmeza e ponderou a ideia daquilo quebrar com ele lá em cima, mas quis imaginar que se Doniya subiu ali ele subiria também, subiu os quinze degraus no ritmo da eletrônica que soava em seus ouvidos, o chão era todo de madeira e as portas todas eram um cinza chumbo, pintados obviamente, menos um quarto um pouco mais a frente, a porta era rosa e Zayn andou até lá sem se importar de havia alguém ele não estava ouvindo nada mesmo, empurrou a porta após girar a maçaneta e olhou lá dentro, ele nunca viu tantas camas juntas, mesmo com suas três irmãs, haviam sete camas ali, todas enfileiradas uma ao lado da outra com uma escrivaninha dividindo-as, cada cama tinha um tom de rosa, assim a primeira era mais clara e a última era mais escura, a parede era amarelo-claro e o teto havia um céu anoitecido, o chão era de madeira branco e as janelas eram de grade com o topo arredondado.
           Zayn tomou um susto quando sentiu uma mão em seu ombro e se virou com urgência e com os olhos castanhos arregalados, ele tirou os fones e encarou a mulher a sua frente, dos cabelos loiros compridos, tinha os olhos castanhos como os dele, mas eram menores e puxados, um nariz arrebitado e lábios grandes, ela tinha em torno de um metro e cinquenta e cinco, bem menor que Malik que precisou olhar pra baixo, ele tinha os lábios franzidos e as sobrancelhas juntas como se estivesse bravo, mas só estava esperando.

– Quer… hum… conhecer seu quarto? – perguntou a mulher depois de um tempo analisando o garoto alto, dos cabelos negros com loiro platinado, cheio de tatuagem e um piercing sexy no nariz.
Zayn: Quem é você?

           Ele não conhecia ninguém, ninguém mesmo, era a primeira vez que ele estava ali e que ele via todo aquele pessoal, então mesmo não querendo ele queria se enturmar pra não ficar feio, o problema é que ele sempre foi bastante tímido e tem alguns problemas pra se enturmar, e prefere ficar assim, porém as vezes ele tentava se esforçar pra se encaixar em algumas coisas que ele via que havia necessidade de ser feita, como por exemplo, estar na casa de uns familiares por trinta dias e não falar com ninguém, ele não queria isso, aliás ele queria ter o tempo dele, mas não queria que as pessoas pensassem que ele era um mau educado quando na verdade ele não era.

– Sou Lizzie. Eu trabalho aqui. – respondeu a mulher.
Zayn: Ah. – ele não sabia o que falar, ela era uma empregada e isso.
Lizzie: Então?
Zayn: Como?
Lizzie: Quer conhecer seu quarto?
Zayn: Oh. – ele entendeu – Sim, eu gostaria.
Lizzie: Eu adoro o sotaque britânico, vocês são tão formais e cheio de palavras diferentes e enchem a boca pra falar e é muito lindo. – Zayn não a respondeu, ele ainda tinha um dos ouvidos com o fone tocando sua música favorita, e o outro estava pra ouvir aquela mulher, mas ele não se via na necessidade de respondê-la já que não tinha nenhum assunto. – Por quanto tempo vocês vão ficar?
Zayn: Trinta dias, eu acho.
Lizzie: Epidemia não é?
Zayn: Deve ser.

           Lizzie entrou em um corredor de madeira e pensou que talvez aquele menino não tivesse gostado dela, porque ele falava tão pouco e não puxava nenhum assunto, ele não quis saber nada dela além de quem ela era, ela talvez pensou que poderia falar como começou a trabalhar ali, mas imaginou o menino balançando a cabeça e falando “hum” então preferiu ficar em silêncio, chegou ao final do corredor e tinha uma escada de madeira ali, com um carpete escuro, quase cinza, subiu os degraus na frente de Zayn que agora mexia pra mudar as músicas do seu celular, e no final eles acabaram entrando em um outro corredor, com três portas apenas, todas chumbos de madeira, o corredor era cheio de janelas enormes de vidros que revestiam do chão ao teto, haviam umas caixas no chão ali e assim que Lizzie abriu a porta do quarto pra Zayn ele se surpreendeu, era diferente do que ele imaginava, ele achou que fosse dormir num cubículo, ou dividir o quarto com suas irmãs, mas em vez disso o quarto era todo dele, com papel de parede azul e verde em todas as paredes, uma cama de casal no meio do quarto que inclusive era maior que o que tinha em casa, tinha um criado-mudo ao lado da cama e um armário do outro lado, aonde ele guardaria sua roupa, olhou pras janelas, três janelas, uma perto de um sofá que tinha ali, perto de um móvel que ficaria uma televisão se tivesse uma ali, e uma janela do outro lado que se emendava com outra e pareciam somente uma, eram enormes e dava pra ter uma bela vista da cidade, e também era o lado em que o sol nascia, Zayn gostou disso, colocou suas bolsas sobre a cama e parou pra olhar a cidade escurecendo.

Lizzie: O banheiro fica no fundo do corredor, é uma porta branca e fica um pouco escondida porque o desenhista do mapa dessa casa era um amador. – ela moveu os braços tentando explicar pra Zayn que estava de costas pra ela. – E tem banheiros lá embaixo caso precisar ou não encontrar o daqui. Bom as luzes se ascendem com presença então não fique procurando interruptores, aliás, você é o único que vai dormir nesse corredor, portanto não entre nos outros quartos. Boa noite.

           Ela se moveu pra sair e imaginou que Zayn não tinha ouvido nenhuma palavra, já que ele fiou de costas o tempo todo e encarando a janela, nem se quer moveu a cabeça em forma positiva pra deixar entender que estava prestando atenção. Mas ele logo se moveu indo em direção ao topo da escada com cuidado, Lizzie ouviu o barulho do seu coturno e desceu os degraus calmamente, e parou na descida quando ouviu ele a chamar, não pelo nome, mas por um breve e baixo “ei”

Zayn: Obrigado.

           Ele nem se quer sorriu e só disse isso mesmo, deu as costas batendo sua bota na madeira e entrou no quarto fechando e trancando a porta, Lizzie juntou as sobrancelhas “Obrigado?” só isso? Ele nem dissera seu nome? Nem ao menos um sorriso? Ou um “boa noite”? Somente um obrigado, para Zayn era mais do que o suficiente, já que ele não havia o costume de falar obrigado com frequência, seu pai acreditava que nem falar com frequência Zayn fazia, até porque eles não tinham um papo de pai pra filho a muito tempo e sempre parece que Zayn não quer conversar, boa parte das vezes é verdade, mas as vezes ele só se sente acanhado de dizer algo e ser condenado por aquilo, então prefere ficar quieto do que se arriscar.

           No dia seguinte ele acordou sozinho, olhou pros lados e retirou o fone de ouvido, passou as mãos sobre a boca e limpou todo o excesso de baba que tinha ali, ele riu sozinho, tinha tido a melhor noite de sono da sua vida, pela primeira vez não ouvi Safaa gritar com Waliyha, não ouviu sua mãe gritando seu nome e o mandando levar as meninas pra escola, não ouviu seu pai reclamar de algo sujo, somente o barulho da sua respiração e os seus pensamentos, ele respirou fundo e checou as horas no celular eram 10:50, muito tarde pra quem acordava 7:00 horas todo dia, ele havia ido dormir sem tomar banho e eram umas nove horas quando isso aconteceu, ele se lembra de ter apagado os abajures e pensado por um tempo sobre essas férias e logo pegou no sono… Se espreguiçou e pegou uma toalha de dentro de uma das bolsas que inclusive ainda estavam em cima da cama, e algumas no chão que caíram “por acaso”.

– Bom dia, Zayn. – ouviu uma voz grossa ecoar por toda a cozinha, lembrando que ele levou quase dez minutos pra achar a cozinha, já que ele só tinha visto a sala e os quartos, por curiosidade. – Você dispensa prazeres hum?
Zayn: O quê? – ele mexia em seus cabelos e parou pra analisar o homem ali. Alto e atleta, cabelos castanhos escuros e sardas pelo rosto, olhos claros e nariz achatado, Zayn pensou Quem é esse cara? Mas ele não saberia a resposta, então deu ombros enquanto o homem o olhava também.
– Você fugiu ontem a noite, enquanto todos estavam se apresentando pra sua família. – Zayn então entendeu, descansou os ombros e viu sua mãe chegar, ela deu um bom dia ralo e um beijo em sua testa, Safaa só passou por Zayn e deslizou as mãos pelas costas descobertos do moreno, ele deu uma leve passada de mão nos cabelos da menina que riu, e as duas entraram pra cozinha, deixando Zayn a sós com aquele homem. – Eu não importo quantos anos você tem, ou o que você quer ser da sua vida, eu não importo quais os tipos de problema que você acha que tem, você está na minha casa agora e ninguém aqui será seu empregado se você acha assim, espero que você entenda que será bem-vindo aqui, como toda a sua família, mas precisa mostrar solidariedade, não interessa que Zayn você é em Bradford, você está na minha cidade, garoto, seja conveniente e tenha postura.

           O que ele sabe sobre Zayn Malik, ele pensou, o que ele sabe sobre mim? Porque ele fala como se ele soubesse quem eu sou, só porque eu fui dormir mais cedo, ou porque não quis conhecer a família enorme que ele tem? Qual é, eu sei o que estou fazendo, tudo no seu tempo. Zayn pensou, quis falar, mas ele apenas riu debochado fazendo o homem estreitar os olhos e forçar o punho, Zayn sentou-se ao lado dele e Yaser apareceu segurando Bella, a filha menor de Lúcio, vulgo o homem que chamara a atenção de Zayn.

Lúcio: Estava aqui, comentando com Zayn, assim que ele se hospedar direito, iremos atrás de um emprego pra ele. – Zayn retesou o corpo e olhou pro homem rapidamente, retirou o único fone de ouvido e pausou a música sem precisar olhar pro seu celular. – Ele já é um homem.
Yaser: Mas vamos ficar somente trinta dias, eu tenho dinheiro o suficiente pra todos aqui.
Lúcio: Mas Carrie e Mike precisarão de ajuda na veterinária. Ele poderá ajudá-los e assim ganhará um dinheiro pra ir aonde quiser.

           Zayn entendeu o que ele queria só com o olhar que ele havia feito, queria fazer Zayn trabalhar achando que ele aprenderia uma lição, alguma coisa em Zayn irritava aquele homem e Zayn não quis se preocupar em bolar um plano infalível para te irritar, não pensou em nada, só concordou, concordou em trabalhar, ele não tinha mais nada pra fazer e queria se preocupar menos com as coisas que ficaram em Bradford, aliás, o que ele não queria era arrumar confusão e novamente sem abrir a boca e dizer se quer uma palavra, Zayn concordou que faria parte do plano de Lúcio, mas tinha em mente de que não deixaria de ser quem era por nada e ninguém.

Lúcio: Amanhã você acorda as oito e vai com Mike até lá. – Zayn balançou a cabeça e Lúcio se irritou mas não disse nada.

           Colocou uma camiseta preta e uma calça jeans que tinha uns rasgos na altura do joelho, colocou um tênis xadrez e ajeitou o cabelo em frente a televisão, tirou o celular do bolso e checou as horas eram cinco e meia da tarde, o calor já havia abaixado a temperatura e ele estava cansado de ficar trancado dentro daquele quarto sem ter o que fazer, perguntou a Lizzie sobre a internet e ela lhe deu a senha de uma internet muito ruim, então ele resolveu que ia ao centro encontrar algum lugar pra comprar um chip pro seu celular e tomar uma raspadinha ou um milk shake. Pegou sua carteira e colocou no bolso, e desceu todos as escadas, viu que Lúcio estava na frente da casa e assim que desceu a escada caminhou pelo lado da sala encontrando uma porta de vidro ali, demorou pra entender como abria, mas após apertar um botão ela abriu e ele saiu, encontrando com o quintal, havia umas madeiras ali, uns brinquedos velhos, uma mesa com alguma coisa em cima e umas lonas, umas bicicletas no fundo e então seus olhos pararam perto de uma árvore ali, caminhou com rapidez até lá, olhando o que havia parado perto dela, analisou aquilo e quase chorou por um tempo, era uma Slam MSR140, ou seja, era uma moto. Uma super-moto. Os olhos de Zayn brilharam quando ele a viu, branca com detalhes laranja e dourado, era 140 mas Zayn não gostava de correr muito, ele só gostava de sentir a briza batendo sobre seu rosto.

– Você pode ficar com ela se conseguir concertar. – um homem apareceu, ele Zayn não tinha visto, nem no café da manhã, ele era alto mas era moreno, bem moreno diferente dos outros da casa.
Zayn: E o que ela tem?
– Eu não sei, eu estava andando e um dia ela parou.
Zayn: Hum. – ele só respondeu isso e se abaixou pra olhá-la, entendia um pouco mas não sabia se podia concertá-la. Ele logo levantou e deu as costas saindo dali misteriosamente, deixando o homem que ele nem sabia o nome lá olhando a moto toda empoeirada ali. – Vou sair.
Trisha: Pra onde?
Zayn: Vou ir a algum lugar.
Trisha: Zayn, eu preciso saber aonde você vai.
Zayn: Não muito longe, mãe. – murmurou irritado andando e ouviu sua mãe gritar.
Trisha: Leve Lenon com você.
Zayn: Quem é Lenon? O cachorro? – ele parou e encarou sua mãe que estava o olhando feio, ele revirou os olhos e logo um menino de 17 ou 18 anos atravessou a porta e entrada.
– Eu sou Lenon. - e o mesmo acenou pra Zayn. – Podemos ir no meu carro.

           Zayn deu ombros e o menino passou rapidamente por Zayn abrindo o portão de madeira, acontece que depois que passa pelo portão tem mais alguns portões aonde ficam guardados os carros da casa, em todas as casas desse lugar tem essas garagens e você pode escolher se quer ou não aluga-las. Lenon caminhou até um portão de madeira e o abrindo com facilidade mostrando então Renault Sandero Stepway 2015, prata.

Zayn: Vocês tem carro do ano aqui?
Lenon: É os Estados Unidos, Zayn. – ele balançou a cabeça e entrou no carro. – Vai ficar ai?
Zayn: Não.

           Lenon e Zayn chegaram no centro e ainda fazia sol, era bem comum pra Zayn, toda aquela cidade, tinha alguns prédios altos, algumas lanchonetes, mercados, padarias, escolas, teatros, Zayn gostou do que viu e ficou encantado por algumas decorações luminosas no local, se encantou com alguns quadros que viu à venda nas ruas, se apaixonou por todas as montagens ali. Lenon estacionou o carro em frente a uma lanchonete e desceu, algumas meninas que comiam batata frita e milk shake o olharam, sabiam exatamente quem era e seus corações pulsaram e os pelos de seus braços arrepiaram, se assanharam na verdade, se permita-me dizer.
           Zayn tirou o fone, enrolou cuidadosamente e guardou dentro do porta-luvas, colocou o celular no bolso e ajeitou a calça e os cabelos antes de abrir a porta e fazer aquelas meninas se perguntarem “quem é esse?” Zayn desceu guardando o sorriso por mais que quisesse fazer, ele permaneceu sério e encontrou com Lenon parado há alguns metros dele, mexendo no celular entretido em algo.

Zayn: Espera alguém?
Lenon: Vou encontrar alguém aqui.
Zayn: Vou procurar o chip, certo?

           Lenon acenou a cabeça positivamente e Zayn ajeitou os cabelos assim que se virou, atravessou a rua, mesmo sabendo que aquelas meninas o olhava curiosas, mas ele não ligava muito pra essas coisas quando estava focado em fazer uma outra totalmente diferente, quando ele estivesse interessado ele daria atenção a elas e até poderia usar seu charme para alguma coisa a seu favor, mas ultimamente ele não tem se esforçado muito para conseguir mulheres, ele é assim, muito vaidoso, se arruma muito, se ajeita muito bem, conversa e as vezes é gentil, porém ele não faz muito questão de arrumar alguém pra estar ao seu lado, por mais que as pessoas acham que ele está sempre a procura de alguém disfarçadamente, ele diz que não, e o que Zayn diz que não é não.

           Zayn mau pisou em um degrau entrando em uma loja e um menino caminhou em sua direção, cabelos castanhos e uma cara fechada, o menino se aproximou lentamente de Zayn e sua mente borbulhou em perguntas, afinal era raro ver alguém de outro lugar por aqui, Zayn tinha cara de ser de outro lugar a metros de distância, não tinham como negar.

– Posso ajudar?
Zayn: Sim, eu queria um chip pro meu celular
– Me siga por favor.

           Zayn deu ombros e seguiu o menino mau humorado, eles não haviam nem se quer se olhado, por todo um corredor cheio de eletrônicos e coisas do tipos, quadros, cadernos e mais um monte de variações, ele se encolhia contra algumas prateleiras cobertas de objetos a venda, e enfim chegaram ao balcão aonde o menino que usava uma camisa xadrez se acomodou, mexeu numa caixa quadrada menor que a palma da sua mão e revirou a procura e chips e logo colocou sobre o balcão fazendo com que Zayn entendesse que era pra ele pegar qualquer um.

– Você é novo, vai morar aqui? – perguntou o menino, sem apresentações, claro.
Zayn: Não, minha cidade está fechada.
– Fechada? Tipo como?
Zayn: Quarentena.
– Wow, quarentena? O que houve?
Zayn: Muita morte bizarra cara, os cérebros das pessoas estavam explodindo, literalmente, por conta de uma peste eu não sei o nome. – Zayn respirou pra pausar, era a primeira vez que se empolgava pra falar algo – E muita gente morreu, eles ainda não descobriram o nome, mas quem pudesse sair da cidade era melhor ir. Então meus familiares resolveram se mudar pra um lugar bem legal.
– Você tá ironizando?! – Zayn só concordou com a pergunta do menino e ele riu. – Payne, Liam Payne.
Zayn: Zayn Malik.
Liam: Zayn! – ele riu. – Bonito nome, você pode sair, Zayn?
Zayn: Sim, eu acho. – ponderou.
Liam: Tem umas festas por aqui, por mais que a cidade seja um saco, eu te busco se quiser.
Zayn: Eu gostaria.

           Combinaram então de se encontrar mais tarde, Zayn chamou Lenon e uns dez minutos depois conseguiu indicar o endereço a Liam para que ele pudesse buscá-lo, não era difícil a cidade era pequena e todos se conheciam por ali, marcaram-se para sete e meia e eram seis horas naquele momento, Zayn acenou pra Liam antes de sair da loja e da porta sentiu alguém esbarrar nele, distraído porque mexia em seu celular mal percebeu quem era, mas tinha um cheiro forte de perfume, Zayn olhou pra trás e só pode ver cabelos grandes morenos e um short bem apertado que não combinava nada com uma blusa toda apertada também.
           Zayn entrou no carro de Lenon e os dois voltaram pra casa enquanto Zayn falava um pouco sobre seu aparelho telefônico para seu primo, também o convidou para ir pra festa junto dele, mas Lenon negou disse que não gostava desse tipo de coisa, Zayn aceitou sabia que todos tinham lá suas opiniões e Zayn jamais o julgaria.
           Quando deu sete trinta e dois, Zayn ouviu uma buzina tocar em frente a casa, se despediu da sua mãe e das suas irmãs com um beijo na testa, desceu com urgência e avisou a todos que não voltaria cedo, talvez ficaria lá um pouquinho mais tarde, sua tia gritou da cozinha para ele simplesmente não fazer barulho quando chegasse e sua mãe gritou pra ele tomar cuidado, riu enquanto corria segurando suas calças, atravessou o portão de madeira dando um pulo meio “homem-aranha” e correu pra se encontrar com Liam que já bebia uma cerveja, entrou no carro do novo amigo e percebeu que já tinha duas pessoas no banco de trás. Liam os apresentou como “Justin e Cailin” os dois pareciam um belo casal e grandes amigos, Cailin tinha os cabelos loiros mais escuros que os de Justin, eles riam muito e Zayn achou que eles já haviam dado uns tragos por ai, riu com seus pensamentos e todos no carro riram ainda mais. Zayn vestia uma calça jeans escura rasgada no joelho, usava um tênis baixo e uma camiseta branca com umas listras totalmente loucas, Zayn sempre usava esse tipo de roupa mais simples, o que mais lhe chamava a atenção era seus cabelos loiros e sua barba escura, Zayn adorava ser assim, tão simples mas tão encantador. Já Justin com os cabelos loiros bem claro escondido por um boné preto, usava uma camiseta comprida cinza mas escondia também com uma blusa de moletom laranja, usava calça clara e um tênis meio cinza com uns desenhos pichados, ele estava chamativo e todo mundo da cidade adora Justin, praticamente era o garoto mais odiado e mais amado dali, os meninos sentiam inveja do seu rosto perfeito, sua voz e sua mania de conquistar todas as garotas, ele era praticamente um charlatão, dava ideia em todas as garotas e isso era um fato, mas nem todas caiam no seu encanto porém a maioria sim. Ele era um menino muito bonito e todos concordavam com isso, porém a sua humildade apagavam toda a sua beleza, ele era tão humilde que mal se viam seus traços perfeitos, era um dos garotos mais amáveis dali. Cailin era a garota mais odiada isso, com certeza, não poderia negar. Nasceu em Campelina assim como Justin, Liam e Lenon, mas Cailin dos meninos era a única que sofreu desde que nasceu, seus pais morreram uns meses logo depois do nascimento e então foi cuidada por Pattie, mãe de Justin e da sua avó, Lúcia que hospedava Justin e seus irmãos junto com a sua mãe no andar de cima da sua casa. Cailin nunca foi uma menina cheia de amigas, as pessoas que andavam com ela eram sempre meninos e isso fazia com que a maioria das meninas a odiasse e os meninos a achasse uma vagabunda de primeiro, tudo bem que Cailin tinha a mania de usar roupas mais curtas que as outras pessoas, mas nunca, nunca que uma roupa lhe dirá que tu és. Cailin era linda, linda demais, mas não reconhecia isso depois de tanto que sofrerá, Justin é a única pessoa que permanece ali ao lado dela, e a protege de todos, de todas as meninas que querem te bater e de todos os meninos que só querer te usar.

– Então… Zayn?! – Justin começou. – Está animado para passar quarenta dias na minha cidade? – Zayn ia questionar mas Justin continuou – Liam me contou, que Bradford está com problemas.
Zayn: Sim, problemas horríveis. – sorriu fraco, ele estava começando a se soltar, isso era ótimo. – Eu acho que vou gostar daqui.
Cailin: Andando com nós, você vai amar. – ela falou animada e Justin a olhou com ternura. – Amanhã ele pode ir conosco ver a Francisca, não pode Jus? – ela perguntou como uma criança pergunta a sua mãe se pode levar doce.
Justin: Claro, se ele quiser. Nós vamos pegar o barco as seis.
Zayn: Como assim?
Liam: Não pergunte, só vá… você vai adorar. – Zayn deu ombros e Liam soube que era como um “sim”. Liam e Zayn dariam bem, eram praticamente iguais em corpos diferentes, apenas.

           Todos ficaram em silêncio, menos Cailin que cantava baixo enquanto mexia na unha, Zayn a olhou rapidamente antes que Justin notasse, Cailin era bastante bonita, tinha traços femininos e se vestia bem, Justin parecia sério naquele momento e mexia no celular, juntava a sobrancelha e mexia os lábios devagar, Zayn observou a estrada ficar escura, mas, no fundo, conseguia ver umas luzes piscando e chamando atenção, imaginou exatamente o que era e acertou. Quando chegou percebeu que a música estava bem mais alta do que imaginara, desceu do carro seguido de Cailin e Justin, Liam fechou tudo e ajeitou a camisa xadrez e os cabelos em um topete baixo.
           Eles entraram em um enorme celeiro e estava lotado, todos adolescentes da pequena cidade parecia estar ali, já fazia calor e as luzes piscavam por todo o canto, Zayn passou mau antes mesmo de entrar, Justin foi na frente sendo seguido por Liam que foi seguido por Zayn, Justin cumprimentava a todos e todos cumprimentavam eles, inclusive Zayn que ninguém o conhecia, mas por estar com Justin já era conhecido de todos. Zayn estranhou quando sentiu a mão quente de Cailin encostar e pressionar na dele, ele a olhou e ela olhava pra baixo, provavelmente com medo de alguém agredi-la ali, Justin só lembrou da garota quando estava pra subir as escadas pra parte vip aonde ficava o D.J e alguns amigos dele ali, Justin terminou de subir as escadas e deixou que o resto subisse, encarou Zayn e o empurrou na direção do D.J.

Justin: Mike, conheça Zayn, ele vai ficar conosco por um tempo.
D.J: Sem problemas. – deu ombros, Justin era o popular, não Zayn ele tinha que saber disso, mas Justin não. Liam se aproximou de Zayn e os dois se encostaram no parapeito.

           Do outro lado estava Cailin encostada também olhando lá pra baixo e reconhecendo algumas meninas que antes falava com ela, sentiu Justin a abraçar por trás e encostar a cabeça em seu ombro, ela sorriu por um tempo mas nem se moveu, ela sabia que aquilo acabaria em estantes, logo ele encontraria alguma garota e então passaria a noite toda nos braços dela, Cailin ficaria ao lado de Liam por um tempo até ele ir atrás de sua ex. Mika, uma menina alta e bonita que tinha por ali, eles haviam terminado, mas nunca, nunca se afastavam, e toda vez que se via a noite toda era somente deles. E então Cailin mais uma vez voltaria pra casa sozinha, andando por ai, esbarrando alguém bêbado que a xingasse e depois ouvindo Pattie reclamar como Justin era totalmente irresponsável. Mas fazer o que, ela o amava e isso era evidente, mas ela não poderia fazer nada a respeito, não mais.

Liam: Hei Z, acho que alguém está a fim de você.

Continua...

Olá minha Genteeeeeeeeeee
Falei que ia postar mas não sabia necessariamente quando, resolvi então fazer uma longfic do Zayn, que a proposito não está terminada, mas estou trabalhando nisso, aliás, espero que gostem, o primeiro capítulo é enorme, mas aposto que os outros vão ser menores, bommmm pra dar suspense, eu vou dar nome a "SeuNome" então quem vocês acham que é a SeuNome, a Lizzie, a Cailin? Quem será que vai sofrer na mão do nosso querido e mudo Zayn Malik????????????? 
Espero que gostem, até mais em breve. Beijoooooooos

Nova carinha, o laranja é o novo azul ❤

9 comentários:
Olá você ai pessoa que ainda entra aqui e reparou essa nova postagem aqui, deve estar se perguntando "Oh meu Deus, eu estou vendo certo?" Sim você está, e não me xinga não pelo amor que você tem a sua mãe, menina!  GENTEEEE! Eu nem consigo acreditar que finalmente eu voltei, olha só, Janeiro só foi um mês de testes para a vida de todos nós. 
Aliás, FELIZ ANO NOVO CAMBADA LINDA 

Nossa, você vai mesmo ler tudo isso? Sério que tem paciência pra mim? Depois desse tempo todo? Se você vai ler, já saiba aqui, te amo <3 de verdade. 
okay, já que você vai ficar vou começar com primeiro me desculpando por ter abandonado o blog, você não vai querer saber como 2015 foi um ano muito complicado de lhe dar, a escola mudou, meus amigos mudaram, sentimentos que somente em história existiam pra mim se tornaram reais, eu simplesmente fiquei bagunçada em 2015, mas graças a Deus e a muita força de vontade eu consegui retomar tudo no fim de 2015 pra começo de 2016, tenho amadurecido muito, e por incrível que pareça mudei muito desde a ultima vez que conversamos, mas bom, vamos ao que interessa, eu voltei e tenho algumas novidades pra vocês e dessa vez são pra valer. ALELUIA DONA CAMILA!  
Gente, LARANJA, olha só essa cor maravilhosa que eu coloquei no blog, sempre falei "ah mas o azul vai ficar pra sempre" sim, o azul vai ficar mas gente Laranja é o novo azul kkkk 
Bom como podem ver, não mudei muita coisa, além da foto que sim, eu retirei o Zayn, mas isso não diz que ele vai sair das Fanfics, porque eu gosto desse menino muito, e querendo ou não ele tem que fazer presença né, ta no destino de todas as fanfics. Gente a verdade é que eu não consigo tirar ele das fanfics, é difícil. 
Bom agora irei falar sobre as fanfics que parei, bom, até segunda ordem eu sou a única administradora do Blog, ou seja, todas as fanfics postadas aqui será somente escrita por mim. Bom, darei continuidade a From Doncaster, ainda não sei se vou continuar Comeback, é uma decisão difícil por ter somente o Zayn, então respondam pra mim se querem a continuidade dele ou não. E bom, aos poucos vou postando O que te torna linda parte 2, porque esse eu vou postar somente quando eu estiver segura das minhas escolhas, porque meu Deus, é muita coisa. Enfim, espero que não abandonem o blog e acompanhe essa nossa linda nova fase. Agradeço a todas administradoras que me ajudaram com isso aqui, e espero muito que vocês não fiquem chateadas comigo, é uma escolha que eu demorei pra ter. Bom, votem ali no canto para eu tirar algumas dúvidas. Alguma pergunta sobre o blog aqui (pergunte o que for) Bom e se alguém quiser fazer uma pergunta mais direta, vou deixar meu número e podem me chamar no whatsapp se acharem necessário: (11) 9.4944-2533
Enfim, muito obrigado por ler até aqui. Novidades estão por vir. Beijosssss meus amores, até mais
 

O que te torna linda (Parte dois) - Capítulo cinco.

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Capítulo Cinco. – Tudo vai ficar bem.
Justin Bieber ON. 

        E aquela cobra estava jogando o veneno dela de novo, ela tinha feito aquela postagem no jornal e agora todo mundo sabia que eu estava de volta a Wells e acreditavam que eu tinha um problema com Styles que eu queria acabar com a vida dele, destruir tudo o que ele tinha e até mesmo competir com ele, mas não era essa a ideia, eu tinha voltado pra Wells mas não por causa deles ou algo do tipo, eu nem sabia que eles estavam aqui, infelizmente eu voltei pra cá bem numa época ruim, não que as outras não tenham sido, mas todos estavam aqui e enfrentando de novo um problema, isso era como nos velhos tempos e me fazia recordar toda aquela merda que a gente viveu que pra Harry tinha lembranças boas, mas pra mim, eu só perdi, fui enganado e sofri boa parte do tempo, não tenho nada bom para me recordar.

Harry: Você vai comigo? – ele andava de um lado pro outro no fundo do hospital, eu tinha trazido Camila aqui e não queria subir, encontrei com Harry ele queria um favor.
Eu: Me diz, você tem certeza que quer fazer isso?
Harry: Eu vou perder ela se eu não fizer, e você viu a mensagem eles podem fazer isso por mim. – ele me entregou o celular, de um remetente sem identidade alguém havia enviado uma mensagem pra ele a quase quatro horas atrás.

“Se você pensa que tudo está acabado eu posso ter a solução pra você, me encontre amanhã próxima a estação de Chelshire e eu posso te entregar um bebê e você pode ter sua família completa de volta” 

Eu: Isso é duvidoso, Harry. Eles tiraram sua filha, eles vão te dar outra?
Harry: Eles não tiraram a minha filha, o médico disse que foi aborto instantâneo.
Eu: Aborto instantâneo? E o que a SeuNome disse que foi?
Harry: Envenenamento em um bolo, mas fala sério se fosse veneno o médico diria.
Eu: Da mesma forma que tudo tem sido dito pra nós nos últimos anos, huh? Qual foi a última vez que você deitou a cabeça no travesseiro sem imaginar o teto caindo na sua cabeça por alguma fraude que algum filho da… tenha feito?
Harry: Você tem razão, mas eles estão me dando uma oportunidade, talvez tenha ficado com a consciência pesada.
Eu: Claro, como sempre.
Harry: Porque você não está do meu lado?
Eu: PORQUE, HARRY ISSO É DUVIDOSO. – parei pra respirar. – Você perdeu uma filha, então eles vão te dar outra, você não acha que vão te chantagear por isso?
Harry: Justin, escuta. – ele veio na minha direção. – Eu não tô nem ai, se eles pedirem dez milhões de dólares, eu vou dar o dinheiro, eu só quero entrar naquela sala e dizer que a criança não estava morta, dizer a SeuNome que era erro médico e que seu filho sobreviveu, eu não quero a minha garota daquele jeito.
Eu: E porque você precisa de mim pra isso?
Harry: Porque você é a única pessoa mais insensata depois da Camila pra fazer isso comigo, eu sei que ela aceitaria ir comigo, porque ela também quer o bem da SeuNome, então eu sei como uma pessoa que veio da mesma vagina vai fazer o mesmo.
Eu: Isso é uma grande responsabilidade. Você acha que ela vai acreditar?
Harry: Ela tá tão lúcida que não sabe mais o que é realidade e o que não é, anda acreditando em tudo. O Matthew filho do Louis disse pra ela que tinha visto um duende no natal e ela disse que conversava com Duendes o tempo todo, e ela não fuma maconha.
Eu: Que droga, Harry. – bufei irritado e desci do muro em que eu estava sentado. – Você vai me fazer ser mais horrível do que eu já sou.
Harry: Isso é um sim? – balancei a cabeça que sim e Harry tentou vir me abraçar, empurrei ele e balancei a cabeça negativamente. – Sem abraço? Tudo bem, sem abraço.
Eu: É, agora sobe lá e manda a Camila descer.
Harry: Vamos subir, eu e você?
Eu: Vou deixar essa sua proposta tentadora pra outra hora.
Harry: Oh – forçou a voz. – Como você é nojento, eu estou em uma situação complicada.
Eu: Te pego amanhã as dez horas, gracinha. – mandei um beijo pra ele e desci uns degraus que tinha ali.
Harry: Não vai esperar a Camila?
Eu: Ela sabe aonde estamos hospedados, não precisa de tamanha gentileza, já vou ser legal com você. – sorri e Harry concordou, enfiou a mão nos bolsos da calça e se enfiou no elevador que tinha ali.

*** 

        Parei o carro em um estacionamento do lado de trás do metrô e fui com Harry até a entrada do mesmo, foi quando o mesmo recebeu uma mensagem do desconhecido e ele dizia que Harry podia entrar quando quisesse, descemos as escadas juntos e o local estava praticamente vazio, tinha cerca de seis a sete pessoas ali, todas espalhadas pelo lugar, eram quase onze da manhã, esse é o horário em que o lugar fica mais vazio e que também passam menos trens. Harry sussurrava umas coisas que eu não entendia e andava totalmente confuso olhando pros lados, sugeri que parássemos para quem lá esteja mandando mensagem mande a última indicando aonde deve estar esta criança. Harry olhou pra todas as sete pessoas ali e eu preferi não olhar muito, não queria ninguém em cima pedindo foto ou autógrafo essa hora da manhã, contando que eu fui dormi as seis horas e praticamente quase não dormi direito.

Eu: Eu nem sei como consegui despistar ela. – murmurei, nós estávamos conversando sobre a Camila ter desconfiado. – Ela não dorme, fica ligada o tempo todo.
Harry: Ela sempre acha que tem algo errado.
Eu: E ela não está certa? Olha bem pra o que a gente está fazendo, Harry. – fechei os olhos por uns segundos respirando fundo, isso não é certo.
Harry: Você nunca contou que tinha outra irmã. – voltou a andar pela plataforma. – Isso é certo, Justin?
Eu: Ninguém nunca perguntou sobre ela.
Harry: E o que você queria que eu fizesse? – comecei a segui-lo – Então, você tem três irmãs, tem mais alguma dissimulada na família?
Eu: Hei, não fala assim. Por mais loucas que elas podem ser, são minhas irmãs.
Harry: Ah, cl…
– AH MEU DEUS, TEM ALGUMA COISA NOS TRILHOS.

        Uma garota começou a gritar enquanto apontava pros trilhos, comecei a correr na direção dela e Harry veio junto tentando me acompanhar, parei próximo a menina e desesperada ela apontava pra um tipo de cesto que estava perto da parede do outro lado dos trilhos, um pano cobria o cesto, era mais pra uma cesta de piquenique. Harry puxou o meu braço com força e os seus olhos estavam arregalados enquanto paralisavam na tela do celular e mais uma mensagem que dizia “Ai está sua criança, você pode salvá-lo se quiser, mas apenas um sobreviverá, quem você escolhe, Harry?”

Eu: Não pode ter uma criança ali. – falei ainda sério, eu queria acreditar que não tinha nada lá, mas eu também não poderia esperar os cinco minutos que faltava pra um trem chegar pra que eu visse ou não visse sangue por todo o trilho. Respirei fundo e Harry permanecia em choque, várias pessoas já começavam a se aproximar pra assistir a cena, enquanto todos gritavam assustados e desesperados uma inundação de nada passou na minha cabeça, eu não sabia o que fazer, era como se meu cérebro tivesse sido invadido por uma ventania.
Harry: Justin…

        Harry mau conseguia falar, gaguejava e os olhos arregalados na direção do cesto me dava uma vontade de jogar ele nos trilhos também, seus olhos já lacrimejavam, como conseguia ser um fracote? Eu também não poderia dar um de herói, mas era a única alternativa no momento, ou era, ou era.
Tirei a jaqueta que usava e joguei em cima de Harry antes de pular nos trilhos e escutar mais um monte de gritos, normalmente eu estava acostumada com eles, mas nesse momento eu queria dar um jeito dessas mulheres calarem a boca, porque estavam me deixando aflito, olhei pros dois lados antes de atravessar os trilhos e quase cair de tão confuso que era aquela montagem, não escutei nada além de gritos, isso significava que o trem não estava tão próximo assim, retire o pano de cima do cesto assim quando me aproximei e realmente tinha uma criança ali, o cordão umbilical dela não tinha nem sido cortado até o momento e ainda tinha pouco de sangue por seu corpo, era totalmente recém-nascido, de um dia, ou de poucas horas atrás. Me desesperei, e a primeira coisa que fiz foi checar se aquela coisa pequena tinha pulso, e depois de me concentrar e parar um pouco de tremer notei que o coraçãozinho batia bem pouquinho. “JUSTIN” escutei Harry gritar, agora ele havia reagido, talvez fosse calor do momento e ele ficou todo paralisado, mas agora ele parecia ter caído na real, com os joelhos no chão e os braços esticados pra frente ele pedia pra eu levar a criança, peguei o cesto do chão e andei com o maior cuidado sobre os trilhos, entreguei ao Harry. “ME PUXA, HARRY” gritei assustado, eu não queria ver um trem passar por cima de mim, de jeito algum, eu não queria morrer assim, mesmo ter sido um herói eu queria sobreviver muitos anos ainda.
        Eu juro que senti todo o meu passado passar diante os meus olhos quando vi Harry ponderar se ia me ajudar a subir ou não, ele por alguns segundos ficou pensativo, mas aqueles olhos grandes e verdes arregalados não era porque ele estava pensando se salvava a minha vida ou não, foi porque na parede atrás de mim tinha um grande alarme vermelho que acendia quando um trem estava chegando a estação, isso era pra fazer as pessoas ficarem um passo atrás da linha amarela, cujo eu estava a quase cinco metros de distância.

Harry: Justin, não consigo. – ele tremia. Desesperado.
Eu: PUXA A PORRA DA MINHA MÃO. – gritei mais desesperado que ele, o mesmo esticou as mãos pra me pegar e tentou me puxar, ele chorava muito e tremia tanto que era incapaz de conseguir me puxar, escorreguei na primeira tentativa e tentei manter a calma, mas não daria certo se somente eu tivesse fazendo isso. – Solta, Harry. – pedi e Harry me olhou com mais medo ainda.
Harry: O quê?
Eu: Eu nunca vou conseguir subir.
Harry: ME AJUDEM. – ele gritou pras mulheres que tinham ali, mas era praticamente inútil, tinham quatro pessoas, cinco com o Harry, uma era uma garota de 15 anos, a outra era uma senhora e junto dela sua neta de 10 a 11 anos, e a outra uma mulher de olhos puxados, não adiantaria nada, elas quatro juntos dá a força que o Harry tem todo trêmulo. – Você não vai desistir, não? Ele ainda tá longe, vem?
Eu: Não dá mais tempo, Harry. Eu vou me entregar a luz e morrer feliz por ter-
– Ah, como conseguem ser tão dramáticos? A união faz a força, huh? – um menino loiro empurrou as garotas e sorriu pro Harry, ele se abaixou e esticou a mão pra mim, usava uma blusa vermelha de jogador de futebol. – Esse trem não vai chegar agora, vem pega a minha mão.

        Peguei sua mão e ele me puxou com toda a força que tinha, e eu escorreguei mais umas duas vezes, até que eu tirei os tênis e consegui escalar o muro, o menino me jogou com força no chão e eu senti toda a minha costa doer, mas vale mais uma dor nas costas do que um trem em cima do meu rosto.

Eu: Me senti em um filme de suspense!
– Eu me senti em um filme de drama. – o garoto murmurou sentado do meu lado.
Harry: O que você está fazendo aqui?
Eu: Você conhece esse menino?
Harry: Dean não é? – o menino loiro assentiu com a cabeça, ele respirava ofegante.
Dean: Vou visitar os meus pais na cidade vizinha, estava saindo do banheiro quando vi o drama de vocês.
Harry: Drama? O trem ia matar ele!
Dean: Da mesma forma que matou até agora né? Cadê o trem? – ele tinha razão.
Harry: Mas ascendeu o botão vermelho.
Dean: Sim, indica que ele chegou no final da linha, não que ele está vindo, não estamos em Londres, as plataformas daqui ainda não tem toda essa tecnologia pra avisar quando o trem tá chegando.
Eu: Oh! Me exaustei emocionalmente a toa.
Harry: Achei que você ia dizer que me amava.
Eu: Nunca faria isso. – me joguei no chão.
– Uau, você foi o herói dessa pequena garotinha. – disse uma das mulheres pra mim pra mim, ela olhava pro cesto no chão.
– Com certeza foi. – disse a mulher mais velha, olhei ainda deitado para a plateia que nos olhava e percebi então que a mulher dos olhos puxados, quase japonesa tinha o iPhone dela virado na nossa direção nos filmando.
Eu: Para de filmar isso antes que eu levante e jogue você no trilho. – murmurei e fechei os olhos, escutei Dean e Harry rir. Não falei brincando.

*** 

Eu: E você ainda achou que a pessoa que envia essas mensagens pra você estava com a consciência pesada. – murmurei do banco de trás, meu coração ainda acelerava bem rápido, com tudo que aconteceu eu mal conseguia dirigir. Dean disse que poderia visitar os pais outro dia e ofereceu de nos levar pra casa.
Harry: Eu estou cansado disso. Sério, eu não aguento mais.
Dean: Do que vocês estão falando?
Eu: Nada. – suspirei irritado e olhei pro cesto ao meu lado. – E como vamos fazer pra cortar o cordão umbilical dessa criança sem perguntarem pra gente de onde tiramos?
Harry: Achei que Camila poderia ajudar.
Eu: Como? Ela não é parteira, médica ou algo do tipo, ela se desespera quando estoura uma espinha. E nem adianta pedir a Lucy, ela acha que enfiando o dedo cortado na boca faz o sangue voltar pro corpo.
Harry: E não faz?
Dean: Não faz?
Eu: Oh meu Deus, eu não acredito.

From Doncaster - Capítulo seis.

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Capítulo seis – Oops
SeuNome P.O.V’s

          Senti um incomodo nas minhas costas e um gosto ruim na minha boca, abri os olhos aos poucos coçando-os, a janela estava aberta e os raios do sol bateram no meu rosto com força me deixando um pouco desnorteada, percebi então que estava dormindo de ponta cabeça na cama, os meus pés estavam em cima do travesseiro e a minha cabeça sem apoio algum. Espreguicei-me na cama e foi quando senti todo o meu corpo doer, minha garganta deu sinal de ardência e estava seca, minha cabeça latejou aos poucos e o meu nariz… bom, escorria feito uma cachoeira urgente, gemi de dor e escutei um suspiro vir de algum lugar do quarto, por debaixo do edredom estiquei o meu pescoço pra fora e ainda sentindo o incomodo da claridade em meus olhos, vi Zayn parado na janela, de costas para mim, usava a mesma jaqueta de ontem, os cabelos estavam em um topete perfeito e seus lábios se moveram pra frente em um biquinho deixando uma pequena abertura aonde saiu uma quantidade grande de fumaça, olhei diretamente pra sua mão e ali tinha um cigarro, eu odiava saber que ele fazia isso, eu nunca fui a favor de bebidas alcoólicas e nicotina, meu pai levou esse problema com ele por muito tempo, e tive que ver a minha mãe sofrendo com ele chegando bêbado em casa, e fumando dentro de casa deixando a mim e a minha família doente. O ruim do fumante, é porque ele não consegue se matar sozinho, então você não pode simplesmente abandoná-lo em seu vício e deixar que ele morra sozinho, assim como acontece com o álcool e as drogas ilegais, o cigarro mata o usuário e a todos que estiver em volta que inalar sua fumaça, ótimo não?
          Levantei aos poucos sentindo o meu corpo rejeitar os meus movimentos, todos os meus ligamentos estavam se soltando e os meus músculos explodindo, era uma dor sem igual, tive que respirar pela boca porque a situação que o meu nariz se encontrava era deplorável. Eu deveria saber que aquela brincadeira infantil entre mim e Louis traria consequências, consequências horríveis. A minha cabeça explodiria, e bom, minha garganta ardia como se eu tivesse arranhado as paredes dela. Assim que consegui encostar minhas costas no guarda-roupa, fiquei observando Zayn da janela, ele não parará de fumar o seu cigarro, mas também não dissera nada até agora e nem se quer havia me olhado, ele parecia concentrado em alguma coisa e… como ele entrou aqui? Tive quase certeza que tinha fechado a janela, não… eu tenho certeza que fechei a janela. E em meio a minha análise senti tontura, droga, tudo menos tontura, repulso e então não dava para aguentar mais, meus olhos pareciam revirar, eu sei que os arregalei antes de impulsionar o meu corpo pra frente e em somente uma tentativa tinha vomitado todo o meu jantar no chão.
          Com o cigarro agora preso em seus lábios pressionados, Zayn veio na minha direção, tirou a coberta de cima de mim e me puxou, senti o meu corpo rejeitar novamente os meus pensamentos, inclinei o corpo pra frente novamente e vomitei mais uma vez, senti uma sensação estranha, e sabia que ainda tinha mais pra sair. Zayn me ajudou a levantar da cama e desviar do que eu já tinha feito e em segundos eu me ajoelhei no chão do banheiro e enfiei o meu rosto dentro do vaso sanitário deixando tudo o que queria deixar lá dentro, senti Zayn mexer nos meus cabelos, me ajudando.

– O que você andou fazendo noite passada? – questionou ele, eu já estava um pouco melhor, apoiei minha mão na tampa do vaso e olhei de lado pra ele, ainda sentindo tontura. – Sua roupa está toda molhada no chão do banheiro, o que você fez?
– Eu… ah… – senti ânsia e parei de falar por um tempo, suspirei fundo e Zayn parecia irritado. – Pulei na piscina com o Louis.
– E o que deu em você, ontem fez menos graus negativos, achou que era que tipo de super herói, SeuNome? – parecia autoritário, mas eu sabia que ele estava preocupado.
– Desculpa, eu desafiei ele e ele me jogou lá.
– Eu sabia… eu sabia que deixar você sozinha naquele lugar não era bom. Não era bom te deixar com aqueles garotos na verdade. – soltou os meus cabelos com agressividade. – Eles não são boa companhia.
– Pelo que ouvi falar, você também não. – murmurei baixo e o vi me olhar desacreditado. Merda, mudei de expressão e suspirei pronta pra começar a mudar a minha fala.
– Não acredito que você disse isso. Você acredita no que eles dizem?
– Eu não conheço você. – murmurei um pouco mais irritada, do chão ainda eu estava e com vontade de vomitar também.
– E o que você acha que eu vou fazer? Vou estuprar você? Eu já teria feito se fosse um estuprador, assim como estripar você, ou sequestrar você. Eu não sou nada do que eles falam, assim como você não é a santinha que relataram naquele site idiota do Louis.
– Ah, então você acha que eu sou o quê?
– Não sei mais o que pensar sobre você, quando conheci você, parecia diferente. Não me dedurou pra ninguém, não me bateu e não me tratou com ignorância. Mas você é igual a qualquer outra garota, ficou a fim do garoto mais popular da escola e está sendo fútil fazendo o que ele pede, como aquele jogo de cartas. – movi os braços e falava com raiva, gritava na verdade, estava bem irritado.
– VOCÊ ME AJUDOU. – gritei.
– Não te ajudei, SeuNome. Eu te devia uma, você me deixou ficar aqui enquanto aquela menina me procurava. Eu te devia uma, não devo mais. Espero que você cresça e pare de fazer besteiras que prejudicam a sua saúde, como esse resfriado, você veio aqui pra estudar, e precisa terminar os estudos, mas pelo jeito, ficará uma semana sem os trabalhos.
– Você deveria ser aquele amigo que não liga pra essas coisas.
– Bom, eu não sou nenhum dos dois. – falou baixo passando pela soleira da porta. – Nem aquele cara que não liga pras essas coisas, e nem seu amigo.

          Nossa, aquilo tinha doído feito uma faca enfiada com força no meu peito, o enjoo e ânsia tinha até passado com isso, meus olhos estavam arregalados e encarei os olhos castanhos de Zayn, sua boca pressionada e ele segurava o resto do seu cigarro no meio dos dedos. Não dava para saber o que ele tinha com sua expressão, diferente das outras pessoas, ele não costuma demonstrar muito, o que complica muito pra mim que estava aprendendo a socializar. Mas nesse momento eu queria entender essa situação, eu não entendia, ele tinha me ajudado, e parecia estar bem comigo, até eu ter contado o que havia acontecido.

– Aonde você vai? – questionei quando o vi dar as costas.
– Resolver algumas coisas. – murmurou baixo quase inaudível e sumiu da minha vista por completo, escutei o barulho da porta batendo e depois o silêncio voltou pra me dizer um “bem-vinda de volta”.

*** 

          Debaixo do edredom meus dedos moviam-se freneticamente enquanto eu digitava uma mensagem pra Harry, já eram quase seis horas da noite e eu estava me entupindo de comprimidos, minha cabeça já não doía como antes e eu não sentia mais enjoos. A televisão do quarto estava ligado em um episódio qualquer de Friends e a minha colega de quarto, Sophia, cantava alguma coisa estranha enquanto tomava banho, ela havia me dado os remédios e me ajudado quando chegou e me encontrou pegando fogo e estirada perto da janela tentando tomar ar. “Eu preciso do número dele” mandei novamente pra Harry, eu estava insistindo que ele me desse o número de Zayn e agora que os dois aparentemente se falam, Zayn disse a ele pra não passar o número pra mim, eu não sabia qual dos dois era mais infantil, se era Zayn me negando seu número, ou Harry fazendo o “amigo fiel” e deixando que Zayn desse ordens nele, aposto que Harry me daria o número se Zayn não tivesse o obrigado a não me dar.
          Por volta das onze horas, minha concentração estava na televisão e em Skins, reprisado que passava, Effy conseguia tudo o que queria sem precisar fazer muito esforço, era interessante como ela manipulava as pessoas, tinha as pessoas diante seus pés, e mesmo assim era impossível odiá-la. Meu edredom estava jogado no chão e eu me remexia incontrolavelmente na cama feito uma criança de três anos que não tem nada pra fazer. Senti a cama vibrar e tomei um susto quando isso aconteceu, sentei-me com urgência e senti tudo girar em 360, suspirei fundo e olhei pra parede esperando isso passar, mas percebi que não tinha tanta paciência assim, e virei-me a caçar o celular que vibrou, tateei toda a cama e o encontrei debaixo da minha calça de pijama que eu tinha tirado por ter ficado com calor, consequência de uma febre alta. Desbloqueei o celular e um número desconhecido havia me mandado mensagem, três emoticons, todos com a mesma feição mas eram de cores diferentes. Bom, as carinhas não eram lá sorrisos, então imaginei que poderia ser Zayn, e clicando sobre “detalhes” pude ver a foto dele ao lado de seu número que eu não tinha salvo no meu celular, desesperei e aflita me ajoelhei na cama sorri sem jeito e olhei bem os emoticons, ele queria deixar bem claro o que estava sentindo e por isso entrei em seu jogo, mandei três emoticons do mesmo jeito que ele, só que as feições do meu eram tristes, o primeiro chorava, o segundo fungava e o terceiro parecia aflito. E em segundos depois ele me havia enviado mais três emoticons, sorri, mesmo que os emoticons fossem tristes. E novamente entrei na brincadeira enviando mais três emoticons, e depois disso ele demorou muito pra continuar, eu já me encontrava totalmente torta em cima da cama, o quarto iluminado apenas pela televisão, joguei meu corpo na cama e inclinei ele pra frente ficando com metade do corpo pra fora da cama e apoiando minha mão no chão, encarava o celular esperando a resposta de Zayn vir, mas parecia que ele não ia responder mais. Eu fui infantil? O que eu fiz? Olhei novamente aquela conversa a base de emoticons e não vi nada demais, ele estava “demonstrando” o que estava sentindo e eu também, talvez se eu tivesse colocado a carinha de enjoo, seria menos infantil. Eu acho.
          E quando eu estava quase dormindo escutei o celular vibrar no chão, em um choque de realidade pulei da cama e estiquei os meus braços apanhando o celular e desbloqueando com urgência, ai meu Deus, ele tinha mandado uma sequência de emoticons, que eu particularmente não entendi, fiquei olhando aquela sequência de mensagens subliminares por um longo tempo sem conseguir entender se quer uma mensagem, suspirei fundo e copiei os emoticons e enviei pro Harry dizendo que Zayn havia me enviado e Harry respondeu dizendo que já me responderia, e depois de tanto esperar, quase beijando a parede gelada ao meu lado, Harry respondeu com. “Acho que ele quis dizer que gosta de você.” Como assim gosta de mim? Não faz sentido. Na verdade… pode fazer.


          “Os primeiros querem dizer que aconteceu de repente, quando ele te viu, ele se apaixonou por você, e então tem o rostinho com olhos de corações, e depois vem esse negocio vermelho, que significa que ele não para de pensar em você, junto com o macaquinho com os olhos tampados, e depois tem os dois rostinhos envergonhados que significa que ele tem vergonha de te contar isso porque pode quebrar o coração dele.” Não podia ser.

– SeuNome… – A voz do Harry ecoou pelo quarto e eu ergui a cabeça o vendo na minha frente, de calça listrada e camiseta escura. – Você não respondeu.
– Eu… – permaneci com a expressão que estava, boca semiaberta e os olhos arregalados. – Não sei mais nem o que pensar.
– Ele acabou de revelar que gosta de você, SeuNome.
– São só emoticons, Harry. – murmurei e tentei ficar em pé, mas me deu tontura, desisti.
– Ah para, ele não te enviaria a toa. Responde ele.
– Com o quê, Harry?
– Com o que você sente por ele. Deve sentir algo não é?
– Não… é muito rápido. Eu conheço ele só por um dia.
– Idai, não me diga que você não ficou com alguém na primeira vez que a viu. – ele se espreguiçou e se jogou na cama a minha frente, bom, a minha colega de quarto tinha que chegar logo porque os meninos estão tomando conta do seu lugar.
– Já mas…
– Blá, blá, blá, blá. – murmurava enquanto zapeava os canais da televisão. – Você pode dar uma chance pra ele, que está a fim de você.
– Mas e o…
– Se você falar Louis eu te bato.
– Mas Harry…
– Mas nada, SeuNome… ele é famoso, tem um monte de garotas para ele. Ele não tem só fama por ser bom jogador de futebol, ele tem fama por ser o cara que tem uma meta de pegar todas as garotas. Se ele ficar com você, nenhum outro garoto vai querer ficar…
– Porquê? – perguntei curiosa.
– Porque os garotos não vão querer uma garota que pegou o garoto que pega todas. – franzi o cenho e senti a minha cabeça doer, que merda de raciocínio era esse.
– Mas mesmo assim as garotas querem ficar com ele.
– Porque elas não se importam com o que vão falar delas. – Harry se ajeitou na cama ao meu lado e começou a prestar atenção no filme que passava. – E qual será a sua escolha? O menino que vai ficar com você hoje e te deixar amanhã, ou o garoto que cuida de você por um bom tempo e que gosta de você de verdade.

          Fiquei em silêncio e resolvi não respondê-lo. Me deitei na cama e cobri-me até a cabeça e os meus pensamentos ficaram recheados de Zayn Malik, isso era o dia inteiro, eu não conseguia parar de pensar nele, e eu não conseguia ficar sem pensar nele. E nesses dois dias que ele esteve comigo me fez entender que talvez ele poderia gostar de mim sim, eu não sentia nada por ele, ou talvez sentia um pouco de alguma coisa que eu não sabia explicar o que era, mas, mesmo assim, tinha algo entre a gente e só percebi depois das mensagens. E Harry tinha razão, eu não sei, sinceramente o que Louis quer, e não posso ficar apaixonadinha por um cara que tem todas, afinal eu sou só mais uma que vai ficar apaixonadinha por ele, e eu não queria fazer isso, eu preferia o Zayn, ele é um garoto centrado, não chama a atenção e parece ser bem gentil.

*** 

          Saí da sala de aula e esbarrei em Harry que estava me esperando do lado de fora, segurava sua câmera e estava com o rosto amassado, com certeza, dormiu demais. Com um pequeno aceno ele deu as costas e eu o segui por todo lugar, um monte de pessoas passavam pela gente, conversando, rindo e fofocando, já Harry mexia em seu celular e não havia me dito nada. Depois de tanto andar, entramos em um corredor que eu particularmente não conhecia, ele estava quase vazio, ali não tinha armários, somente salas e depósitos, e no fim desse corredor tinha uma porta dupla por onde acabara de passar dois adolescentes, Harry os cumprimentou e logo chegamos na porta aonde ele abriu pra mim e deu espaço que eu passasse, parei do lado de fora e ficamos de encontro com milhares de adolescentes, conversando, fumando e rindo. Percebi que aquele lugar não era o meu lugar, ali só tinha fumantes e Meu Deus, eu não estava me sentindo bem. Ainda estava gripada, mas eu não podia perder as aulas então resolvi sair de casa, mas foi uma decisão horrível, sinto o meu estômago de cabeça pra baixo e a minha cabeça latejar tanto que me sinto em uma obra infinita. “Me encontre no fundo da escola, no campo especial, Harry saberá qual é” dizia a mensagem que eu havia recebido de Zayn a quase dez minutos atrás, enviei pra Harry e ele disse que me ajudaria a chegar lá. Ao olhar pro lado eu pude ver o resto do campo, aquele aonde fica os demais adolescentes, não era tão longe assim, e dava pra eu correr pra lá caso algo desse errado.

– Ele está ali. – Harry sussurrou inclinando seu corpo pra trás e apoiando seu rosto no meu. – Vai lá.
– Eu não sei o que dizer… – murmurei com a voz trêmula e olhei pras minhas mãos, eu tremia. Harry riu pelo nariz e segurou meu rosto.
– Seja você mesma. Diga que você gosta dele… ou pode chegar beijando ele.
– Não. – tirei as mãos dele do meu rosto e me afastei. – Não vou chegar beijando ele, que tipo de garota eu seria?
– Eu sei lá. – deu ombros e olhou pros lados fazendo careta. – Eu tenho asma.
– Eu já sei. – respondi sem importância e ele me olhou cerrando os olhos. – Vou fazer o quê?
– Se vira, estarei daquele lado pra tirar uma foto de vocês se beijando pra guardar pra você depois. – antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa ele fugiu de mim indo pro lado esquerdo o oposto de onde Zayn estava e o oposto do resto do campo.

          E então era a minha deixa, respirei fundo e dei dois passos antes de parar e analisar se estava fazendo o certo, respirei fundo mais uma vez e dei mais dois passos, mas que merda estava acontecendo comigo? Eu não sei mas, por algum motivo eu sentia algo estranho, algo como meu subconsciente gritando pra eu não ir, algo como um sexto sentido dizendo que não daria certo. E então inúmeros pensamentos estranhos rechearam a minha mente. “O que ele viu em mim?” “O que ele quer comigo?” “Céus ele parece tão lindo daqui” e então senti todos os meus músculos rejeitarem e eu queria dar as costas, nunca namorei alguém tão bonito, sim, eu era dessas, dessas que acham que não são suficientes, mas não que eu tivesse todos esses pensamentos todas as horas, eu me achava bonita, mas era um caso diferente quando se tratava de alguém que você acha incrivelmente lindo mesmo que as outras pessoas não acham isso.

“O que você está esperando, parada ai feito uma estátua” 

          Recebi a mensagem de Harry e olhei pra ele de soslaio, parado do outro lado ele estava em pé, a camisa listrada aberta um pouco abaixo do peito deixando seus riscos de tatuagem aparecendo, os cabelos amassados e ajeitados do jeito que ele conseguiu ajeitar, com as pontas onduladas e assim embaraçadas. Ele fez um sinal de positivo com o dedão e eu forcei os lábios na tentativa de tentar ser convicta como ele, de tentar me convencer da forma que ele estava convencido. Novamente eu respirei fundo e isso já me irritava, olhei pra Zayn, quieto ao lado de dois amigos, olhando pro chão e as vezes pro celular, esperando uma mensagem minha? Será? Bom, foi isso que me deu coragem, dei todos os passos suficiente pra chegar até ele, e quando parei em sua frente um dos garotos ao seu lado soltou um som estranho com a boca e falou alto “o que ela quer?” Zayn olhou pro garoto e depois pra mim, notando a minha presença ali, um passo a frente e eu um passo atrás. Logo nós estávamos afastados dos seus amigos. Zayn parou de andar e olhou o cigarro, aquele negócio queimando aos poucos me irritava de certa forma.

– Zayn eu… – nossos olhares se encontraram, da mesma forma que se encontrava antes mas dessa vez o choque foi diferente, a sensação foi diferente, era como se eu pudesse ler seus pensamentos, era como se poderia dizer que fossemos de fato compatíveis. Ele esperou eu terminar de falar, mas eu só conseguia olhar pra ele e pensar: como ele veio parar na minha vida? – Queria conversar com você sobre…
– Olha SeuNome… – me interrompeu. – Eu não sei o que deu em mim pra te tratar daquele jeito, eu não quis brigar com você eu juro… – pausou e eu fiquei o olhando, meu coração bateu tão rápido que achei que ele ia sair voando por minha garganta. – Queria não ter agido daquela forma, falei tanto de infantilidade e acabei sendo um idiota. – sorriu sem jeito. Tomei coragem e com aquele sorriso comecei a falar.
– Zayn, eu queria falar com você sobre as mensagens que você me enviou e eu…
– Que mensagens? – franziu o cenho e inclinou o corpo pra frente.
– Os emoticons que você me enviou ontem a tarde – foi a minha vez de franzir o cenho, juntei as sobrancelhas e curvei a cabeça pro lado, mas o que estava acontecendo?
– Hum… emoticons? E o que eu te enviei? – perguntou de uma forma estranha, ele estava jogando?
– Bom… – engoli a seco. – Harry disse que era por você ter amor a primeira vista e…
– SeuNome acho que você… – ele tentou falar.
– Que babaca. – uma garota apareceu do meu lado sorrindo e mais duas com ela, uma delas segurava uma câmera e parecia me filmar, fiquei totalmente confusa. – Você achou mesmo que Zayn se apaixonaria por você? – ela perguntou colocando uma perna na frente da outra e me olhando autoritária.
CONTINUA...

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