Our Destiny - Capítulo um. / 3ª Temporada.

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Capítulo um – Recomeço.
Quase quatro anos depois...
SeuNome P.O.V’s 

  “Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça...” Mario Quintana 
  E quando eu não tinha mais forças para continuar eu me vi em um ano novo, um ano em que prometeram a mim que tudo ficaria melhor, mas isso acontece a exatos quatro anos, todos os anos escuto meus tios dizerem “Não esquenta querida esse ano vai ser melhor” mas eu vivo presa no meu passado e enquanto eu não superar o passado eu nunca vou poder tornar o futuro em algo melhor, será sempre a mesma coisa. Mas esse ano eu prometi que seria diferente, e diante o relógio da meia-noite no dia trinta e um de dezembro eu desejei que tudo mudasse e que eu daria o meu melhor pra que daqui pra frente tudo fosse exatamente do jeito que eu quero, e eu sei que sou capaz de correr atrás e recomeçar tudo que eu perdi durante esses quatro anos de tristeza, remorso e sofrimento. Como já dizia Chico Xavier, embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
  Já passava três semanas que eu tinha feito o meu pedido de um ano melhor na virada do ano e eu não tinha mudado nada, continuava com os cabelos engrenhados como se tivesse brigado com o travesseiro, o rosto marcado por alguma coisa que deixei em cima da cama pela noite e o mesmo pijama de sempre. Escutei um grito de meu nome vindo lá de baixo e desci o mais rápido preocupada com uma das minhas primas e encontrei a mais velha em pé segurando uma carta, se eu estava com os cabelos bagunçados nem imagine ela.

Eu: O que foi dessa vez?
Eduarda: Chegou a sua carta do hospital, eu não acredito, você foi aceita, acabou de chegar. – ela disse tudo rapidamente e correu até a mim me entregando não a agradeci e nem fiz questão de ser delicada naquele momento rasguei a parte mais próxima e puxei o papel branco de dentro do envelope, desdobrei e comecei a ler o que dizia claramente seguido pelo meu nome.

  EU TINHA SIDO ACEITA NO HOSPITAL DE LONDRES, O MAIOR E MELHOR HOSPITAL DE TODA INGLATERRA.
  Eu queria ser auxiliar de enfermagem, já que tinha feito uns cursos e técnico em alguns lugares, mas seria apenas secretária de um médico por enquanto mas estava extremamente feliz esperava por essa resposta desde o ano passado, vejo que as coisas nesse ano estão começando a dar certo, meu desejo estava se realizando e bom jeito de começar. Espera...
  Na carta dizia que eu começaria hoje as dez horas e também pedia desculpas pela entrega em cima da hora, olhei rapidamente pro relógio e percebi que marcava nove e meia e agora eu teria que correr o máximo possível pra conseguir chegar ao centro a tempo. Mal tive tempo de pensar e um minuto já havia passado e o meu desespero foi maior que fome que eu estava quando acordei a uns dez minutos.

[…]

  Desci do ônibus checando o relógio de minuto a minuto, avistei o hospital de longe, aparentava ser bem grande com mais de cinco andares, cheios de janelas, um estacionamento extenso, havia uma placa sobre o prédio com o nome do hospital, encarei a entrada havia um grande portão azul com grades de trinta centímetros de distância cada uma, aproximei-me devagar e parei de frente pro portão ainda admirada com tudo. Vi um homem se aproximar eu sorri animada para ele, mas o mesmo não teve nenhuma reação somente abriu o portão pra mim e eu agradeci sem graça e andei em direção a entrada, uma grande e bonita porta de madeira branca me esperava, e assim que subi os três degraus da entrada entrei no local ainda admirada, era realmente tudo de luxo e poderia imaginar qual era os tipos de pessoas que visitavam aquele lugar para se consultar.
  Avistei uma recepção e tinha uma mulher branca com os cabelos loiros como gema de ovo e ela estava concentrada mexendo no computador, olhei em volta e tinha umas pessoas sentadas em um banco no corredor esquerdo, havia placas e televisões de plasma nas paredes, umas enfermeiras estavam encostada perto de um bebedouro e conversavam, na verdade fofocavam. Percebi então que elas olhavam para mim e eu era alvo da fofoca delas, talvez perguntavam o que eu estava fazendo ali e o que eu queria, me aproximei da recepcionista e ela ergueu a cabeça me olhando sorridente e eu sorri de volta, graças a Deus uma pessoa educada.

– Como vai querida?
Eu: Vou bem e você?
– Oh, nem queira saber, eu passei a noite acordada, meu filho mais novo estava com febre e eu precisei cuidar dele, se não fosse por essa xícara de café eu com certeza, já teria desmaiada. – ela riu e eu a acompanhei.
Eu: Crianças são assim, mas são o nosso bem precioso né, eu perderia milhares de noites só para vê-los bem. – ela sorriu animada.
– Gostei de você. – falou com o sotaque forte e eu tremi. – Prazer Samantha.
Eu: SeuNome.
Samantha: Wow, wow! Você é a nova estagiária?
Eu: Sim, eu! – sorri e coloquei meus braços em cima do balcão mais à vontade.
Samantha: Querida, você não vai querer saber quem você vai auxiliar.
Eu: Não? Quem?
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Samantha: Já disse, você não vai querer saber. – ela levantou e se aproximou de mim. – Sabe aquelas raparigas ali, elas morreriam pelo cargo que você conseguiu. – sorri animada, então era bom.
Eu: Wow, estou animada para saber quem é.
Samantha: RACHEL! – gritou e eu me assustei – Leve a garota ao senhor engomadinho.
– O quê? – a garota, a tal da Rachel se aproximou curiosa – Ela é a secretária dele?
Samantha: Sim, o que acha?
Rachel: Acho que ela é uma gracinha, mas vai acabar apaixonada que nem a antiga secretária, a chefe teve que pedir transferência, porque ela não trabalhava direito ela estava gamadinho no grandão. – ela riu do meu lado e eu sorri sem graça.
Eu: Não se preocupa, seria impossível eu me apaixonar por ele, só me apaixonei uma vez e não me permito a sofrer novamente.
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Rachel: Acho isso realmente incrível, por mim você poderia até sonhar com ele e coisas do tipo, mas a Chefe é apaixonada por ele, é garota você não imagina as coisas que acontecem nesse hospital, aquelas garotas também são apaixonadas por ele.
Eu: Qual é, ele nem deve ser tudo isso.
Samantha: Se eu não fosse casada eu pegaria ele querida. – gargalhei.
– O que as madames estão fofocando? – escutei uma voz rouca e grossa soar atrás de nós, cerrei os olhos e por um segundo achei que eu conhecia aquela voz, paralisei completamente, o meu corpo não reagia e enquanto eu escutava a Rachel rir e dizer que estavam falando sobre roupa eu me perdi completamente, achei que fosse Harry Styles. – E quem é essa moça?

  MEU DEUS DO CÉU, ISSO É IMPOSSÍVEL.
  Virei-me rapidamente com os olhos arregalados, e não só os meus, senti meu corpo inteiro tremer e por questão de segundos meu coração parou de bater, não podia ser real, eu estava vendo coisas como sempre mas não, era real dessa vez e eu podia vê-lo, ele estava ali na minha frente e me encarava da mesma forma que eu o olhava, ambos surpresos com o que via, isso tinha sido em segundos bem rápidos mas para mim e para ele tinha sido muito mais do que isso, tudo parecia ter travado, congelado em graus muito baixos.

Samantha: Essa é a SeuNome. – Harry sorriu e esticou a mão pra tentar tocar na minha mas eu não me movi – Sua estagiária.
Harry: Minha estagiária. – abaixou a mão colocando de volta dentro do jaleco e Rachel deu um sorriso. – Acho que você pode me seguir.
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  Não o respondi ainda estava em choque, fazia tanto que eu não o via, ele tinha sido preso a quase quatro anos, tentei vistá-lo mas não deixaram falaram que ele não queria me ver o que me deixou chateada, qual é, eu sempre estive do lado dele e ele simplesmente me afastou dele, isso não era justo. Além de que, eu mal sabia que ele tinha sido solto e que agora era um médico, era uma novidade e tanto.
  O segui até o elevador sem dizer nenhuma palavra, entramos no cubículo e Harry me olhava de vez em quando, eu o observava pelo espelho, seus cabelos estavam compridos quase nos ombros, lisos e um pouco ondulados, sentia o seu perfume forte de onde estava quase um metro de distância dele, seu rosto estava mais definido e agora parecia bem mais adulto, tinha o seu costumeiro sorriso divertido e seus olhos brilhavam, eu me permiti continuar quieta, fingindo que não o conhecia de lugar nenhum, fingindo que eu não sabia quem era, olhava para o meu reflexo no espelho e de novo ao lado de Harry e de novo com ele ali, algo que eu já havia perdido totalmente as esperanças, eu estava com ele de novo.
  Assim que o elevador abriu eu sai na frente observando algumas enfermeiras encostadas em uma porta e umas pessoas sentadas em um banco no corredor claro, no fundo tinha outra recepção, as pessoas olhavam para mim com uma expressão de deboche e isso me irritava. Senti Harry colocar a mão sobre o meu ombro e o meu corpo por inteiro tremeu e ele percebeu o olhei rapidamente e ele me olhou dentro dos olhos eu quis desabar quis me jogar nos braços dele e dizer quanta saudade eu sentia e pedir desculpas por tudo o que eu fiz mas meu subconsciente foi mais forte, por mais que eu quisesse fazer aquilo meu corpo não reagiu da mesma forma.

Harry: Por aqui. – entramos em uma sala dividida em dois cômodos, no da frente havia duas mesas e um sofá grande, uma mesa para a secretária e a outra eu não sabia o porque de estar ali, havia alguns quadros na parede que era amarela, Harry andou na frente e então fomos para o outro cômodo que tinha uma mesa branca e maior que as outras, havia uma maca, balanças, armários com faixas, pomadas, coisas normais de médicos, havia duas poltronas enormes de frente pra mesa presa e atrás dela havia uma cadeira branca. Harry parou um pouco longe de mim e me analisou de cima abaixo e esperou minha reação, eu continuei olhando pros lados observando o lugar.
Eu: É muito bonito. – andei até um quadro o olhando, Harry, sua irmã e sua mãe, os três juntos sorridentes, foi depois que a gente se separou.
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Harry: Vai ficar fingindo por quanto tempo? – virei-me e encontrei com os olhos verdes de Harry.
Eu: Fingindo?
Harry: Você perdeu a memória ou algo do tipo? Porque eu me lembro de você e você se lembra de mim, namoramos, lembra?
Eu: E dai? – questionei sem me mover.
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Harry: Você está aqui poderia matar a saudade. – ele se aproximou.
Eu: Eu não pedi para estar aqui, não fazia a mínima ideia de que você havia virado médico, mas talvez se você não tivesse mandando os policias não me deixarem entrar eu saberia sobre você e não precisaria matar a saudade.
Harry: Porque está falando assim? – sua expressão mudou completamente era como se ele estivesse sentindo dor. – Eu fiz aquilo por seu próprio bem, eu não queria que as pessoas falassem que eu machucava você, eu não queria machucar você em ter que me ver preso naquele lugar.
Eu: Eu te amava, Harry. Nada me machucou tanto quanto você ter mandado eles não me deixarem entrar, eu queria te ver, queria estar ao seu lado no julgamento.
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Harry: Me amava? Não me ama mais? – ignorou o resto da conversa e se aproximou ainda mais.
Eu: Não faça perguntas idiotas. – curvei meu corpo e desviei de Harry que estava cada vez mais próximo, fui pro lado da janela e observei a vista.
Harry: Escuta, se eu pudesse fazer diferente eu faria, eu fujaria com você, esqueceria dos problemas e dormiria agarrado com você no banco de trás do meu carro, te levaria pra conhecer o mundo, você foi e é a única garota que eu amo, SeuNome. Você não percebe o destino nos colocou novamente juntos porque você queira ou não, nós fomos feitos um para o outro.
Eu: Não sei se o destino que nos ver juntos ou se ele quer me ver triste.
Harry: Desculpa, por favor, me desculpa.... eu farei diferente.
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Eu: Eu prometi recomeçar. – sussurrei e Harry se curvou curioso não tinha escutado.
Harry: Hei, somos adultos agora, vamos jogar isso não para vencermos e sim para ser o mais divertido possível, me dê uma chance, eu sinto sua falta. – ele deu a volta na mesa e tirou de lá várias cartas e fotos. – Não há um dia que eu não pense em você, há milhares de cartas que eu escrevo para te enviar mas não sei aonde você está, não há uma noite que você não venha na minha mente, você é simplesmente o meu primeiro e único pensamento, eu nunca esqueci de você, eu sinto muito sua falta.
Eu: Eu também sinto sua falta. – senti meus olhos se enxerem de lágrimas e eu comecei a chorar, Harry tentou se aproximar e eu me afastei levemente fazendo Harry parar de andar. – Te dei duas chances Harry, não vou abrir mão de uma terceira eu sinto-
– Com licença. – escutei uma voz fina e virei-me rapidamente uma mulher magra alta, dos cabelos loiros quase brancos entrou na sala de Harry e se aproximou devagar dele me ignorando completamente ali, ele olhou pra ela e forçou um sorriso, ainda a olhando a vi encostar os lábios nos de Harry e entendi, eles estavam namorando, claro né, ele é lindo e não aguentaria ficar sozinho, tinha que arrumar alguém para preencher seu vazio, e eu não podia nem sentir raiva, eu não fazia mais parte da sua vida. – Tudo bem?
Harry: Sim, estava conversando com-
– Oh, eu não te vi ai. – ela sorriu e se aproximou de mim, passei as mãos no rosto com rapidez limpando as lágrimas ali. – Jesus, você está bem? – assenti devagar. – Eu sou a Rebecca. Você deve ser a SeuNome, eu te escolhi por foto para ser secretária de Styles.
Eu: Prazer em conhecê-la. – forcei um sorriso mas ela não viu já que se virou rapidamente e correu até o Harry, eu era o oposto dela, salto alto, cabelos bem hidratados e um corpo perfeito, merda Styles.
Rebecca: Está pronto pro almoço? – saiu com um tom meio malicioso e eu inclinei meu corpo para atrás e fingi ignorar olhando a vista lá embaixo. – Responda-me Harry Edward Styles. – cobrou e ele respondeu rapidamente.
Harry: Ahn? Ah claro.... é, o que disse?
Rebecca: O que aconteceu com você? Não está prestando atenção no que falo?
Harry: Qual foi a primeira pergunta Rebecca, não enrole.
Rebecca: Quer almoçar comigo? No meu apartamento?
Harry: Tudo bem, vou pegar o casaco, pode me esperar no carro. – ela assentiu com um som da sua garganta.
Rebecca: Tchau SeuNome, seja bem-vinda.
Eu: Obrigada Rebecca. – ela acenou e depois saiu animadinha batendo a porta. – Vai se foder, Harry Edward Styles. – falei da mesma forma que ela.
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Harry: O quê?
Eu: Você está namorando com ela?
Harry: Achei que nunca mais te veria.
Eu: Ela é o oposto de mim, você disse que gostava de mim.
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Harry: Por isso mesmo, ela é o oposto de você porque eu imaginei que se ficasse com alguém que fosse totalmente diferente eu não ficaria pensando em você a todo momento. Eu queria te esquecer.
Eu: Vai pro seu almoço, idiota.

  Sem dizer nada com a decepção estampada nos olhos vi Harry vestir o casaco e sumir rapidamente em direção a porta, me aproximei da mesa e olhei as fotos e as cartas que tinha ali, me certifiquei de que ninguém entraria trancando a porta, me sentei na cadeira de Harry e comecei ver aquele monte de lembranças que ele tinha, inúmeras cartas incompletas, fotos de nós dois, foto de Zayn, Louis, Liam, Niall e Camila. Comecei a abrir as cartas que tinha meu nome e percebi que havia algumas fotos, fotos de um bebê, mexi naquilo e vi que tinha um bilhete “Zayn me enviou, imaginei que você gostaria de ver”. Tinha muitas coisas que me fizeram chorar, abri todas as cartas, me sentei no chão para lê-las e eram uma melhor que a outra, os sentimentos de Harry estavam todas entregues ali. Levantei-me cerca de horas depois e peguei todas as cartas, as que tinha lido e as que não havia lido, peguei uma sacola em uma gaveta e coloquei tudo lá dentro, as fotos também, olhei um porta-retratos em cima da mesa e ele estava tombado, o ergui rapidamente e me espantei, era uma foto minha, cerrei os olhos e imaginei o porque de Harry ter aquilo, sua namorada não veria? Tirei o retrato de cima da mesa e enfiei na sacola também, minutos depois já estava saindo do hospital e indo em direção ao ponto de ônibus para ir embora e pensar se realmente voltaria no dia seguinte.

Continua.... 
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Heeeeeei gente linda. 
Voltei com mais um capítulo de Our Destiny e quero anunciar que estou escrevendo uma fanfic com Liam Payne e que talvez nas férias já comece a postá-la, já que eu vou ter tempo de sobra pra escrever e fazer nada kljshaksha enfim, espero que vocês gostem desse capítulo em breve terá muito suspense, drama, e o idiota do Harry tomando no orifício anal dele. 

Underworld — Capítulo 12

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Capítulo XII — Sozinhos na cabana
Juramento de lealdade
Mas você é inconsertável
Não posso entrar em seu mundo
Porque você vive em tons de frieza
Seu coração é inquebrável
— Shades Of Cool (Lana Del Rey)
Rolland Hamilton P.O.V.'s
Vale do Loire — França
Novembro de 1565
 Estava com a filha de um camponês na relva às margens do rio Loire quando a tempestade se aproximou. Deixei minha montaria perambulando pela campina e percebi que esse foi um grande erro, precisaria andar para voltar ao castelo. Rolland e sua cabeça que não pensa o certo. Arranquei uma fivela de prata do sapato e coloquei-a na palma da mão de Charlotte.
 — Vá, Charlotte. — comecei. — A tempestade se aproxima e não quero que se machuque. — aproximei meus lábios dos dela e a selei intensamente.
 Observei ela se afastar correndo, a barra da saia imunda de barro. Em seguida, calcei as botas e parti para casa.
 A chuva desabava pelos campos cada vez mais escuros nos arredores do Château de Langeais. Caminhei com segurança sobre os túmulos afundados e as folhas podres do cemitério. Mesmo na neblina mais espessa conseguia achar o caminho de volta, e não tenho medo de me perder. Não havia neblina naquela noite, mas a escuridão e a crueldade da chuva já criavam dificuldades suficientes.
 Ouvi um barulho estranho atrás de mim, captei com o canto dos olhos e vi um movimento, e voltei bruscamente a cabeça para esquerda. O que parecia à primeira vista ser uma enorme estátua coroando uma sepultura próxima ergueu-se majestosamente. Não era feita de pedra nem mármore. O garoto tinha braços e pernas. O peito estava despido, os pés, descalços, e calças de camponês pendiam abaixo da cintura. Ele desceu da lápide com as pontas dos cabelos castanhos — o que apesar do escuro sabia a cor exata deles e pelas ondulações, talvez seriam cacheados — encharcados pela chuva pingando. As gotas desciam por seu rosto, que era claro como o meu e seus olhos eram de um verde intenso.
 Coloquei minha mão na espada a segurando, como modo de defesa. Se ele me atacasse já estaria preparado.
 — Quem está aí? — perguntei e o jovem à minha frente esboçou um sorriso. — Não brinques comigo, sou um duque. Perguntei seu nome. Dizei-o.
 — Duque? — o rapaz apoiou-se no tronco sinuoso de um salgueiro. — Ou bastardo?
 Bastardo? Como ousa?
 — Retirai o dissestes! Meu pai foi o duque de Langeais. Eu agora sou no seu lugar. — acrescentei, fui tolo de dizer isso.
 — Vosso pai não era o velho duque. — ele riu. Inútil, como poderia dizer algo assim? Não pode falar assim de meu pai.
 — E vosso pai? — questionei estendendo a espada. Ainda não conheci todos os meus vassalos, mas estou aprendendo ainda. Guardarei o sobrenome do rapaz. — Vou perguntar mais uma vez. — abaixei a voz, passando a mão no rosto para tirar a água da chuva. — Quem sois vós?
  O jovem se aproximou e afastou a lâmina da espada para o lado. Subitamente, parecia mais novo do que eu, tínhamos o mesmo tamanho mas seu rosto fazia-me questionar, talvez até um ou dois anos mais novo. Ou mais velho.
 — Sou da prole do demônio. — respondeu finalmente.
 O medo passou por todo o meu corpo.
 — Vós sois completamente lunático. — disse entre dentes. — Saí de meu caminho.
 O chão cedeu sob meus pés. Chamas douradas e vermelhas apareceram diante de meus olhos. Encurvado, com as unhas fincadas nas coxas, elevei o olhar para garoto ainda em minha frente, piscando e arfando, esforçando-me em compreender o se passava. Minha mente vacilava como se não estivesse mais sob meu controle.
 O rapaz se agachou diante de mim para que seus olhos ficassem fixos nos meus.
 — Escutai com atenção. Preciso de um favor vosso. Não partirei até consegui-lo. Vós me compreendes?
 Rangi os dentes, sacudi a cabeça para exprimir a descrença — e desafio. Tentei cuspir em seu rosto, mas a saliva escorreu pelo queixo. A língua recusa a me obedecer.
 O jovem envolveu minhas mãos nas suas. O calor era causticante, muito forte e terrível. Gritei.
 — Preciso de vosso juramento de fidelidade. — o rapaz continuou. — Ajoelhai e jurai ser meu servo.
 Quis soltar uma gargalhada em sua cara, mas minha garganta estava fechada e o som se sufocou. Meu joelho dobrou-se sem ser pelo meu comando, como se tivesse recebido um chute por trás, mas não havia ninguém ali. Fiquei ajoelhado na frente daquele garoto.
 — Jurai. — ele repetiu.
O calor queimou meu pescoço. Precisei de toda força que tinha para cerrar levemente os punhos. Ri de mim mesmo, mas não havia graça. Não sei como era possível, mas a mas a náusea e a fraqueza que me dominavam provinham do jovem. Não me livraria daquilo se não prestasse o juramento. Diria o que precisava dizer, mas jurei no fundo do meu coração destruir ele para me vingar de tamanha humilhação.
 — Senhor, torno-me vosso servo. — disse, malignamente.
 O rapaz finalmente me deixou se erguer.
 — Encontrai-me aqui no início do mês hebreu do Cheshvan. Precisarei de vossos serviços na duas semanas entre a lua nova e a lua cheia.
 — Quase... uma quinzena? — tremi de raiva, suas palavras eram absurdas. — Sou um duque!
 — Vós sois um nefilim. — disse o jovem com um sorriso.
 — O que acabastes de dizer? — me segurei para não xingá-lo.
 — Vós pertenceis à raça bíblica neflim. Vosso verdadeiro pai foi um anjo expulso do céu e ignorado no inferno. — Metade de seu sangue é mortal — os olhos verdes do rapaz se ergueram encontrando com os meus. —, metade é de anjo caído.
Chantel Williams P.O.V.'s
Na parte de Norte — Las Vegas
Dias atuais 
 Meus olhos foram cobertos por um pano macio. estávamos a caminho de algum lugar, fiquei calada apenas sentindo a raiva que Rolland estava me dando. O amor que tenho por ele parecia estar acabando. Eu queria Harry aqui ou até Daniel, queria que alguém me tirasse daqui. Apenas.
 Suspirei aflita e senti a mão de Rolland em meu rosto, me acariciando. Não me movi, esperei até que ele parasse de encostar em mim.
 — Não fique assustada, Chantel. — um sorriso surgiu em sua voz. — Vamos poder ficar longe de tudo.
Longe de tudo. Eu não queria ficar longe de tudo, por mais que a presença de Rolland estivesse me assustando eu queria ficar com ele, mas não desse jeito. Não longe de tudo. Peguei em sua mão e a retirei de meu rosto.
— Onde está me levando? — perguntei pela quarta vez na noite e em todas não obtive a resposta que queria.
— Para casa.
— Por que está fazendo isso?
— Fique quieta, por favor.
 Isso poderia ser tudo culpa de Harry, Rolland o odeia. Não devia ter o beijado.
 Por mais que eu me lembre de Harry algo me fazia não querer ficar perto dele, apenas lembro que já namoramos e que o conheci antes mas ainda tinha partes perdidas. Partes que eu queria descobrir o mais rápido possível. Ainda não havia me esquecido das cicatrizes de Harry.
 Será que Rolland também teria elas?
 — Você tem cicatrizes? — fui direta.
 — Como?
 — Perguntei se tem cicatrizes.
 — Cicatrizes há várias, Chantel. — sua voz ficou séria e assustadora. — Por que está me perguntando isso?
 — Harry tem cicatrizes, eu queria saber o que elas significam? São tão estranhas e... Esquece o que disse.
 Ficamos calados, podia ouvir o cérebro de Rolland trabalhando. Sentia seu corpo tenso sem mesmo estar o olhando, não devia ter falado. Eu só faço besteiras. Meu Deus, como não queria estar aqui!
 O carro parou e ouvi a porta ser aberta. Minhas mãos estavam amarradas e tive a louca vontade de cortá-las com apenas um puxão, mas não sou o Hulk para isso. Minha força é quase comparada a de um inseto.
 O meu lado da porta foi aberto e senti as mãos gélidas de Rolland em meu cotovelo. Fui arrastada mais uma vez e logo senti o vento ficar quente e o cheiro de citronela no ar. estávamos em algum cômodo.
 — Vou te soltar, prometa que ficará calma.
 — Estou calma. — o que era mentira. Calma era algo que passava longe por mim agora.
 A venda foi tirada me dando a visão de uma cabana. Uma cabana simples mas confortável, havia uma lareira e eu estava sentada em quase uma poltrona. Rolland estava a minha frente com os olhos fixos em observar meu corpo.
 — Quero ir para casa.
 — Por Deus, Chantel, estamos em casa. — Rolland ficou vermelho e revirou os olhos.
 — Estamos sozinhos em uma cabana, você está me assustando.
 — Estou te assustando? Não quero te assustar, Chel. — sua voz ficou terna.
 Sua boca se aproximou, mas me virei de imediato. Não queria beijá-lo.
 — O que você se lembra?
 — Viemos falar sobre Harry? — perguntei. — Por que o odeia?
 — Isso não é da sua merda de conta! — ele gritou fazendo meus olhos se arregalarem.
 Fiquei quieta e abaixei o olhar. Estava assustada de verdade, pensei em sair correndo mas ele me seguraria. Teria que ficar aqui até o tempo que ele queria.
 — Me desculpe.
 Rolland falou ficando calmo de novo. Sua mão foi até meu queixo e o levantou, se aproximou de meus lábios e me selou levemente, como uma pluma.
 — Me diga — ele continuou. —, o que se lembra de Harry?
 — Lembro que tivemos algo antes, que éramos apaixonados. — sorri sem querer. — Mas eu disse que não o amo uma vez, e disse hoje de novo. Fiz isso por você, Rolland. Eu... — alguma coisa dentro de mim me dizia que não devo falar isso para Rolland, como que o que estivesse prestes a dizer fosse mentira. Mas era? Olhei para o rosto pálido dele, ele esperava a resposta. — Eu... te amo.

Olá! Demorei, não acham? Me desculpem mesmo, deveria ter postado no Domingo ou na Segunda mas a preguiça não deixava — coisa muito feia por sinal. Queria deixar bem claro que no “Vale do Loire — França, novembro de 1565” foi retirado do livro Hush Hush, eu apenas deixei em primeira pessoa e acrescentei alguns detalhes e retirei uns. Acho que agora dá até pra adivinhar o por quê de Rolland ter ódio pelo Harry e, sim, os dois são beem velhos. Talvez, eu saia do mundo da blogsfera, não estou tão animada em postar em blogs :\ Mas estarei sempre no Social Spirit :) Estou escrevendo mais duas novas fanfics, uma delas é Larry (gosto do BROmance :]), deixarei os links logo abaixo, tudo bem?