Madness Of Teens - Capítulo dez / 1ª Temporada

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 Capítulo dez - Aula prática é melhor

"As meninas francesas são fáceis (e as inglesas também)"

Narrador On.

  Ele não podia dizer que não esperava olhares sobre si ao entrar, sempre tinha o olhar todos fito em si, mas não daquela maneira. Parou seu percurso por um segundo analisando o modo como todos observavam, pareciam ter a atenção voltada a qualquer mínimo ato que este fizesse. Não estavam o olhando da mesma forma de sempre, pareciam mais olhares com estranheza ou até condenação, como se ele tivesse feito algo imperdoável. Apenas engoliu em seco e continuou seu percurso, mas o olhares não pareciam menos contínuos sobre si, se sentindo desconfortável - ao que parecia ser pela primeira vez - com tantos olhares voltados a si, o de cachos tirou o aparelho celular do bolso e começou a mexer com interesse, não que algo o interessasse ali, seu trabalho consistia apenas em passar o menu, porém era melhor do que encarar todos aqueles olhares.
   Pouco antes de chegar em seu armário ele o notou, com novamente os óculos de armações escuras quadradas e lentes grossas, ele tinha também um novo sorriso nos lábios que Harry simplesmente não conseguia decifrar, não era um sorriso nervoso de quem se está prestes a levar uma surra, era mais como... Atrevido, talvez?
   Harry franziu o cenho achando graça naquilo tudo, não é como se Niall sorrisse para ele todo dia, este na verdade evitava sempre seus olhos. Alguns dos amigos de Louis do time de futebol tinham os olhos baixos e as atenções voltadas a algo enquanto riam, eles alternavam entre olhar para Harry e para o objeto misterioso e rir, ainda que não soubesse do que se tratava ele podia sentir uma calafrio lhe subir a coluna.

— O que foi que você fez? — empurrou o louro em direção aos armários. Ele nada disse, tinha apenas o mesmo sorriso presunçoso nos lábios finos.

   Ele continua sorrindo? Isso é pedir para levar uma surra, Harry pensou, mas estava sem tempo naquele momento.

— "Você me faz sentir como ninguém, ás vezes eu..." — dizia com uma voz melodiosa e falsamente rouca e gesticulava um qualquer de topete alto e college em letras gregas, afastou os outros a sua volta e logo reconheceu o objeto marrom de capa dura de couro. Harry não tardou em tirar-lhe das mãos o que lhe pertencia.

   Enquanto ele guardava o objeto de volta a seu armário todos a sua volta pareciam rir e suas risadas ecoavam na cabeça de Harry.

— Não sabia que conhecia tantos sinônimos para a palavra ''amar'' — caçoou o mesmo que antes tivera seu diário nas mãos, Harry riu sem humor antes de se virar lentamente, 

— Se passasse menos tempo sendo um babaca também conheceria... — ao passo que Harry se aproximava do garoto cerrando os punhos o burburinho a sua volta diminuía, mas ele sabia que ainda sim todos continuavam olhando aquela cena estagnados. Chegou suficientemente perto do garoto ao ponto que mechas secas pelo gel de seu topete tocassem e pinicassem o nariz de Harry — Mas eu também conheço muitos verbos, dentre eles eu prefiro conjugar um em especial, tem ideia de qual seja? — disse enquanto semicerrava os olhos e o outro negou com clareza — Socar... — disse lentamente e ouviu sua respiração descompassada logo depois de engolir em seco, sinalizou o corredor com o queixo e abriu espaço para o outro que se apressou em sair dali.

 Harry podia sentir seu estado de raiva se diluir ao seu estado normal lentamente e seus ombros baixarem mas aquele incômodo de saber que todos tinham visto muito de sua vida pessoal e de por pelo menos alguns segundos ter se sentido nu em frente a todos ainda o perturbava. Ele se virou a procura de Niall que como previsto não estava mais ali e suspirou, não importa o quão tarde fosse ele lhe faria pagar por aquilo, e foi quando deu de encontro com a garota a sua frente.

— Eu não sabia que podia ser tão sensível, Harry — a loura que enrolava no dedo uma mecha de seus cabelos lisos lhe disse com sua voz melodiosa. Ele arqueou as sobrancelhas enquanto um resquício de seu típico sorriso de lado começava a surgir em seus lábios.

E então chegou outra garota.

— Isso foi tão emocional e profundo, eles dizem essas baboseiras por que não podem nos entender como você, Harry — disse uma ruiva de cabelos claros e apontou a grande unha pintada de azul claro para o mesmo.

E mais outra.

  Sorrindo abertamente Harry passou os braços por cima dos ombros de duas garotas enquanto ele e mais algumas garotas além das duas caminhavam em direção as suas salas, — não que alguém ali fizesse menção de estudar. Ele tinha de volta os mesmos olhares que já esperava sobre si e piscou um dos olhos verdes ao louro que observava toda aquela cena espantado e provavelmente pensava, ''Como o melhor dos planos pode ter falhado?''.
   Enquanto observava o cacheado sair dali da melhor maneira, como se minutos não estivesse a beira do fracasso, o falso loiro se amaldiçoava por não ter conseguido feito aquilo ter dado certo, era fácil, era eficaz, e ainda sim ele tinha conseguido ter vencido o louro novamente. Não era realmente possível que uma pessoa fosse assim tão boa em tantos aspectos, era? Ele coçou os olhos por baixo das lentes do Ray-Ban de grau e suspirou.

   A tarde estava quente e úmida, o ar estava influo e parecia concentrar-se apenas naquela cidade, de modo que os pulmões asmáticos do garoto gritavam por ar. Ele bateu na porta da garota, e bateu, de novo, e de novo. Ninguém atendeu e a porta destrancada começou a tentá-lo a abri-la, e ele o fez, estava sem tempo de qualquer maneira.
 Entrou estrepitosamente e logo pôde ouvir a música tema do jogo que Mike jogava em seu Playstation 3, subiu as escadas antes que pudesse chamar a atenção do garoto e ainda nos últimos degraus da mesma ouviu o som de teclas sendo apertadas displicentemente e confirmando a presença da garota ali.

Ele bateu fraco duas vezes na porta branca de mogno já aberta.

— Estou quase me ajoelhando aqui mesmo e agradecendo a Deus por você ter batido na porta pelo menos uma vez, Mike.

— Sou eu, Niall, além do mais, a porta já estava aberta — deu de ombros e ao ouvir a voz conhecida a loura rapidamente virou-se na cadeira de rodinhas.

— Me desculpe Niall, é que o Mike...

— Tudo bem, eu sei... — era sempre meio desconfortável estar na presença de Pâmela sem outras pessoas ao redor, não é como se eles não fossem amigos, mas simplesmente não era tão íntimos.

  Ele atravessou o tapete felpudo invólucro em um tecido linóleo em sem mais demora tirou o objeto da mochila, o estendeu para a garota e ela o pegou o analisando.

— O quer que eu faça com isso?

— O que faz de melhor!

— Mas isso não seria err...?

— Porra Pâmela, é o Harry, você se realmente se importa com isso?

— Não — disse e riu de si mesma.

— A um poema aí que eu quer...

— Um poema? — disse segurando o riso.

— Sim, eu também ri, mas voltando ao assunto, tem um poema aí que eu quero que publique no seu blog — disse com um sorriso insolente.

— Tem muito mais que apenas um poema aqui... — disse foleando as páginas.

— Mas na maioria são coisas irrelevantes, eu juro que duas páginas são apenas uma descrição do céu — diz e ela ri — Sei que vai estar ocupada com isso então... Tchau — e ela acenou de volta.

  Repassando a recente cena em sua cabeça pensante Niall podia jurar que em nenhum momento aquilo pareceu que daria errado, mas pelo visto Harry estava sempre um passo á sua frente, nem mesmo o ato mais imprevisível poderia ao menos dar um gosto ao de cachos do que Horan passava todo dia, e ele estava puto.

***

  "Os maldosos de Harvard", Mikaelle lia e relia o título incontáveis vezes sem acreditar no que Pâmela fizera, ela queria gritar e acabar com a garota, nem que para isso precisasse quebrar suas unhas. Ela suspirou fundo e virou-se para uma Beatrice estática ao seu lado, a outra não diferente dela estava pasma, era como se a raiva a consumisse aos poucos, isso sem contar os inúmeros comentários que só as deixavam mais nervosas.

— Eu vou acabar com aquela vadia — Beatrice bloqueou seu celular, proferindo calmamente.

— Ela só está fazendo isso para chamar a atenção...

— E está conseguindo!

— Nós vamos nos vingar, calma — Mikaelle disse, o resquício de um sorriso sapeca lhe surgindo os lábios rosados.

  E entendendo o que a amiga queria dizer Beatrice apenas assentiu, Mikaelle se levantou e estendeu a mão como apoio à morena, Beatrice pegou na mão da amiga e se levantou. Narizes empinados e posturas eretas, e o tão habitual ar de superioridade que ambas tinham, elas andavam com tanta segurança que chegavam a parecer que eram superiores a todos daquela escola, e de fato eram. Ao chegaram frente a porta do zelador, puderam ouvir alguns fracos gemidos e risinhos, Mikaelle revirou os olhou e fez um sinal à Beatrice, a mesma dando de ombros abriu a porta revelando Harry e uma líder de torcida ruiva se pegando, a garota já estava sem a parte de cima e a única coisa que lhe cobria os seios era o sutiã rosa, Harry muito pelo contrario estava apenas com sua blusa college jogada ao chão, enquanto tinha os cachos numa bagunça perfeita e os lábios avermelhados e com marcas de batom.

— Sério mesmo, Nancy? — Mikaelle ergueu levemente uma das sobrancelhas — se soubesse que queria entrar para a equipe de animadoras apenas para conseguir dar uns amassos no meu irmão, não lhe permitiria.

  A ruiva abriu e fechou a boca diversas vezes como se procurasse o que dizer. Harry riu anasalado e pegou sua blusa do chão e a vestiu.

— Mika eu... — Nancy tentou se explicar, falhando drasticamente.

— Não, não, esquece isso, só se vista e suma da minha vista — a garota assentiu por diversas vezes antes de vestir sua camiseta e sair dali. Beatrice e Mikaelle a seguiram com o olhar antes de se virarem para Harry.

— Eu poderia ter conseguido transar com ela se não tivessem atrapalhado, mas enfim, qual o problema? — cruzou os braços e fitou as duas.

— Primeiro que não é bem um "problema" — Beatrice disse, enquanto gesticulava — é mais como uma... Como posso dizer? Uma pedra no sapato.

— E segundo, arrume esse cabelo — Mikaelle prosseguiu, indo até o irmão e lhe ajeitando os cachos. Harry revirou os olhos, jogou os cabelos para frente e logo em seguida os puxou para o lado — e também tire essas marcas de batom barato da sua boca — a Styles fez uma careta e levou um dos dedos até o próprio lábio para em seguida passa-lo nos lábios do irmão, esfregando delicadamente o polegar em seus lábios retirando as marcas de batom. Harry tentou, mas foi impossível não sorrir com o ato.

— E terceiro, precisamos que nos ajude a convencer Courtney a fazer algo para nós.

— Courtney? Courtney Dawson? A supervisora de atividades físicas dos boxeadores de Harvard?

— A própria.

Harry riu, negando veemente com a cabeça.

— Sem essa, ela detesta vocês, duvido que concorde em fazer algo.

— Tem razão, ela nos odeia, mas afinal quem não nos odeia nessa escola? São todos uns invejosos — Beatrice disse, revirando os olhos.

— Ela pode até nos odiar, mas tem alguém que com toda certeza ela não odeia — Mikaelle sorriu sapeca para o irmão arqueando uma das sobrancelhas.

— Ok, eu posso fazer isso — Harry deu de ombros.

(•••) 

— Eu não posso fazer isso — Harry disse, enquanto fitava Courtney a distância. 

— Ah, é claro que pode! Vai logo Harry — Beatrice o empurrou fazendo com que ele desse um passo a frente.

— Não, não posso — virou-se bruscamente e fitou a irmã — eu não posso fazer isso.

— E por que não pode?

— Mika, olhe só pra ela — a irmã olhou sobre seus ombros, observando atentamente a garota loira antes de se voltar para Harry — eu não posso fazer isso, ela vai acabar comigo, ela nem sequer vai olhar na minha cara.

— Maninho, todos nós sabemos que Courtney Dawson é apaixonada por você desde a quinta ou sexta série, tudo bem que já tiveram um lance e não acabou nada bem, mas com certeza ela ainda sente algo, vá por mim.

— Tudo bem — se deu por vencido, as duas sorriram — mas você vem comigo — apontou para a irmã.

— Eu? Mas você não me disse que ela me od...? — não teve chance de prosseguir e já estava sendo arrastada pelo irmão até onde Courtney estava. A loira folheava uma revista, enquanto alternava entre ler e tomar o seu suco.

— E aí, Courtney? — Styles se debruçou no balcão em que ela estava e deu seu melhor olhar galanteador.

  Courtney riu anasalada negando com a cabeça, levantou seu olhar dando de encontro com os verdes de Harry, sorriu.

— O que os gêmeos Styles fazem aqui? — virou-se para Mikaelle e voltou-se para Harry.

— Precisamos de um favorzinho seu.

— E o que lhes faz pensar que ajudarei?

— É coisa rápida, e você pode conseguir um presentinho se o fizer.

— E o que seria?

— Preciso que de em cima de Liam Payne e beije-o — deu de ombros.

Courtney riu mais uma vez. 

— E por que sua irmãzinha não pode o fazer?

— Nunca deixaria que fizesse isso, e aliás, quem além de nós odeia Pâmela Madsen mais que tudo? 

Courtney gargalhou e negou com a cabeça, um sorriso malicioso lhe surgindo os lábios.

— Até que o Payne é bem gostoso — deu de ombros, lembrando-se das vezes que teve o privilégio de ver Liam sem camisa nos treinos, mordeu o lábio inferior com os pensamentos do garoto em sua mente e voltou-se para o cacheado em sua frente — eu topo, nada melhor que beijar alguém como Liam Payne, e ainda de bônus ver a tolinha Pâmela chorando.

— Perfeito! — Harry comemorou — e o que vai querer em troca?

— Bem, eu estou precisando de uma média melhor em Frânces.

— Ah! — fez um gesto de descaso com a mão — a Mikaelle pode fazer sua prova — apontou para a irmã que o fitou com um olhar nada bom.

— Ótimo, ainda hoje faço o que pediram. 

— Obrigado, e Courtney, eu estava pensando, um dia desses se quiser, nós podíamos...

— Sem chance Styles, meu alvo é o Payne agora — o interrompeu, sorrindo petulante.

— Bem, eu tentei — deu de ombros e saiu juntamente da irmã.

***

  Não era uma total perda de tempo, afinal era Liam Payne, e Courtney mais do que ninguém sabia que Liam era um garoto que não passava despercebido pelas vadias de Harvard, e ela concluía isso quando via as garotas cabularem as aulas para o vê-lo treinar, e ela tinha de admitir que se não tivesse o "privilégio" de ser supervisora ao seu favor também o faria de bom grado. 
  Olhando mais atentamente para o garoto ela soube porquê Pâmela sustentava essa paixão platônica pelo mesmo, Liam Payne era sensacional, por assim dizer. Costas largas e bem desenhas, o corpo musculoso e na medida certa — nem tão exagerado e nem pouco trabalhado —, pernas torneadas, pele levemente bronzeada, olhos castanhos mel, e os lábios mais apetitosos que a loira já viu, cabelos castanhos e com um discreto topete, Courtney suspirou e negou levemente com a cabeça, ela só podia estar louca quando topou fazer aquilo. Liam com toda certeza tinha o tipo de beijo na qual se viciava rapidamente.
  Cortou seus pensamentos ao ouvir Pâmela conversando com suas amigas no final do corredor, se ela quisesse mesmo beijar Liam tinha de agir rápido, e ela logo o fez. O garoto estava de costas enquanto parecia procurar algo em sua mochila, ele era o único na sala de aula, o que era estranho já que a aula começaria em apenas sete minutos. Courtney passou delicadamente seus dedos de um ombro para o outro, chamando assim a atenção de Liam, que ao ver a garota sorriu, Courtney retribuiu o seu sorriso com um malicio.

— Hey Courty.

— Oi Payne.

— Hãn... O que faz aqui? Não me lembro de ter a mesma aula que você — disse meio confuso.

— E não tem — soltou um risinho — eu só vim aqui para poder te ver.

— Me ver? E por quê?

— Ah — deu de ombros — você não compareceu ao treino hoje, eu senti sua falta — falou manhosamente, fazendo Liam rir fraco e negar com cabeça.

— Não pude ir pois tinha que repor algumas aulas de álgebra. 

— Que coisa chata — fez um biquinho — não sabia que precisava de reforço em álgebra.

— Pois é...

— Sabe, eu me dou muito bem nessa matéria e talvez eu pudesse... — levou seus lábios até a orelha de Liam mordendo delicadamente o lóbulo da mesma — lhe dar aulas particulares — finalizou de um jeito sexy.

  Payne riu nervosamente e virou o rosto para a direção contrária. Courtney levou o indicador até seu queixo, virando seu rosto para si, e antes mesmo que Liam tivesse chances de pontear o que iria acontecer a seguir, sentiu os lábios finos da garota em contato com os seus. Courtney puxou Liam pela nuca aprofundando mais o beijo, ao ponto em que Liam teve certeza que a garota havia passado gloss de morango. Seus lábios eram macios e ágeis e Liam não teve muita noção de seus atos até o momento em que colocou Courtney sobre uma das mesas, e sentiu sua língua fria em contato com a sua, o beijo não era tão exagerado, porém não menos provocativo, Liam vez ou outra mordia os lábios de Courtney, fazendo a garota arfar durante o beijo. Ele apertava firmemente sua cintura, enquanto sentia seus dedos gélidos em sua nuca, e com um estalo eles se separaram.
  A loira sorriu maliciosa para Liam, o mesmo deu-lhe um meio sorriso e assim que ouviu alguns garotos gritaram algo como "Aê Payne!", que teve noção do que acabara de acontecer, levou seu olhar até a entrada da sala e pode ver ali milhares de garotos do seu time de box, os mesmos não descartando a hipótese de soltar alguns "uhul's" e algumas piadinhas, até mesmo o Sr.Halter - seu professor de geografia - estava nessa, sorrindo com os comentários que as pessoas soltavam, e Liam não pode evitar não sorrir.

— Sei que a vida amorosa do Sr.Payne é de muito interessante, mas vão entrando para que possamos começar a aula — o professor lhes instruiu logo tomando seu lado profissional de volta. Ele segurava a porta enquanto esperava com que todos entrassem, coisa que em minutos fizeram, exceto por uns ou outros e Liam e Courtney, que aliás, permanecia sentada na mesa com Liam frente a si — Srta. Madsen, vai ficar ai na entrada ou vai entrar? — perguntou o Sr.Halter.

  E foi ai que Liam a notou ali, dentre toda aquela bagunça de gritos e zoações ele não a tinha visto antes, os olhos azuis marejados e a expressão paralisada, ela apertava os livros com força contra o peito enquanto olhava fixamente para si, Liam logo desmanchou seu sorriso ao vê-la daquela forma.

— Pamy... 

  Pâmela apenas negou com a cabeça antes de virar-se e sair dali apressadamente, Liam estava pronto para ir atrás da garota, porém sentiu Courtney tocar seu braço delicadamente o puxando, e com um dar de ombros o professor fechou a porta e fez com que os últimos alunos se sentassem e deu inicio a sua aula.

***

  A loira tentava segurar as lágrimas que já ameaçavam cair, ela andava apressadamente pelo corredor naturalmente vazio, já que todos estavam em período de aulas agora, e ela meio que agradeceria por isso, pois assim não correria o risco de encontrar com alguém. Porém, Pâmela "comemorou" cedo demais, já que dentre minutos sentiu alguém lhe empurrar um dos ombros. Estava pronta para continuar seu percurso quando sentiu uma mão em seu braço a puxar com firmeza, virou-se e pode ver as duas figuras sorridentes a sua frente. Mikaelle e Beatrice. Pâmela puxou seu braço para si com força e pode ouvira uma risada vinda de Beatrice.

— Pobre Pâmela, está de coraçãozinho partido — Beatrice disse cinicamente, enquanto fazia um biquinho e tornava a rir.

— Me deixem em paz — murmurou, e lhe deu as costas porém foi impedida por Mikaelle que adentrou sua frente.

— Deve ser horrível estar apaixonada pelo melhor amigo e não ser correspondida, uh? — Mikaelle disse, e assim como Beatrice riu.

— Vão se danar — e mais uma vez tentou sair dali, Mikaelle a empurrou levemente para trás.

— Isso é para você aprender a pensar duas vezes antes de publicar aquelas idiotices sobre nós no seu blog.

— Até parece que não nos conhece Pâmela, você pensou mesmo que se livraria de nós tão facilmente? Nem ao menos pensou nas consequências, estou certa?

— Vão se ocupar fazendo coisas fúteis e esqueçam que existo! — esbravejou já irritada e as empurrou finalmente conseguindo sair dali.

  E mesmo que em certa distância ainda pode as ouvir rir de si, e isso lhe a fez ter mais vontade ainda de chorar e sumir de vez.

— Não se esqueça que podemos fazer pior da próxima vez, Pamy.

  Ainda pode ouvir Mikaelle dizer antes de correr para sair dali o mais rápido possível, ela não sabia exatamente para onde ir, mas só queria ficar o mais longe possível das provocações daquelas duas. Foi então que se viu adentrando a grande porta da redação e correndo pelo corredor acabou por esbarrar em Niall e Kevin que conversavam distraidamente, a garota murmurou um "desculpe", antes de continuar seu percurso e logo se ver frente a porta que daria ao palco central do teatro.
  Fechou a porta atrás de si e correu logo se acomodando em uma das paredes ao fundo, logo atrás das cortinas vermelhas, pendeu a cabeça para trás encostando a mesma na parede, e assim já não pode mais evitar conter as lágrimas que rolavam livremente por suas bochechas agora rosadas. Ela não sabia exatamente do porquê de estar se sentindo daquela forma, ela apenas queria chorar e jogar para fora todos aqueles sentimentos ruins que estava sentindo. Raiva. Frustrada. Chateada e acima de tudo se sentindo uma completa e verdadeira idiota.
  Fungou e soluçando voltou a chorar ainda mais, agora levando as mãos até o rosto e desabando, ela abraçou os joelhos com força e abaixou sua cabeça enquanto os ombros balançavam e ela tentava reprimir os soluços que lhe escapavam os lábios. Ela estava sozinha ali, colocando tudo para fora e se sentia bem estando sozinha, porém por outro lado era como se ela quisesse uma pessoa ali, talvez um ombro para chorar ou alguém que lhe pudesse abraçar.
  E foi aí que a loira pôde sentir dedos gélidos tocarem seu ombro levemente, o garoto ajoelhou-se ao seu lado e apertou delicadamente seu ombro, e seguiu-se então uma voz melodiosa e calma, como um sussurro.

— Pam... Está tudo bem?

  A loira ergueu a cabeça e percebeu Niall ali, o garoto tinha um semblante triste. Estava com pena de si, concluiu Pâmela. Ela não sabia se conseguiria dizer algo sem chorar ou soluçar ainda mais, então apenas negou com a cabeça. O irlandês assentiu calmamente e lhe rodeou com seu braços num abraço desajeitado, tentando dessa forma demonstrar a Pâmela que ele estava ali para si. A garota então apenas retribuiu o abraço e chorou no ombro de Niall molhando seu suéter alaranjado. Niall a apertou mais contra si e fez leves caricias em seus cabelos loiros.

— Calma, eu não sei o que aconteceu mas vamos resolver... — sussurrava para Pâmela numa tentativa de consola-la.

— Ni-Niall, eu... — ela tentou dizer sem soluçar mas não obteve muito sucesso.

— Shh... Tudo bem, não precisa dizer, vai passar — A apertou com mais força, tentando lhe passar confiança.

— Po-por que está fazendo isso? — perguntou, ainda abraçada ao loiro.

— Bem, gosto de ter belas garotas chorando nos meus braços — Niall deu de ombros, soltando assim a piada afim de fazer com que Pâmela sorrisse, o que ele concluiu dar certo ao ouvi-la chiar e logo em seguida rir baixo.

— Besta...

  Niall riu e voltou a acariciar seus cabelos, Pâmela apenas se permitiu acomodar-se mais ao abraço do loiro, deitando sua cabeça em seu ombro enquanto aceitava de bom grado as caricias em seu cabelo.

— Sabe Pam, seu cabelo e muito macio, que shampoo costuma usar?

  Pâmela riu novamente, sabia que aquele era o jeito de Niall de consola-la, e ela gostava daquilo, porque apesar de tudo esse era o objetivo de Niall, fazer Pâmela sorrir parar esquecer aquilo que tanto lhe entristecia. E eles continuaram assim, com Pâmela ainda abraçada a Niall enquanto o mesmo lhe fazia perguntas bobas, e ela por vez, respondia cada uma com um novo sorriso.

***

  Depois da aula de sociologia elas sabiam que não teriam a próxima aula juntas, mas serem as Abelhas-Rainhas daquele colégio tornava uma simples caminhada até seus devidos armários muito mais divertida.

— Eu não acredito que ela fez isso — disse comovendo-se com a perda da amiga.

— Mas ela fez, e manchou.

— Manchou?

— Sim, eu disse que era para ela ter lavado á seco.

— Que droga.

— Mas pelo menos vamos ter de sair de novo para eu comprar outro vestido! — disse animada e a outra riu.

Beatrice percebeu a amiga olhando por cima de seu ombro e também se virou.

— "Professor Particular de Francês'' — leu o papel que ela vira Niall pregar no quadro de avisos mas não dera importância antes.

— Sabe para quem é, não é?

— Zayn? — a outra assentiu veemente,

Mikaelle caminhou e destacou a primeira tirinha de papel com o número do garoto. 

— O que vai fazer?

— Pode ser que me interesse — disse com desinteresse.

— Mika não, não pode.

— Por que não?

— Porquê está fazendo isso pelo motivo errado.

— Você acha? Ele é muito misterioso para ser só uma pessoa normal, e se quem manda essas mensagens tiver alguma ligação com ele?

— Não pode descobrir de outro jeito? Sem perguntar a ele?

— Quem mais além dele sabe, Bea? Seu eu conseguir fazer ele falar talvez a gente...

— Ele nem vai olhar para você! Não confia em nós, ele não confia em mais ninguém! — disse já um tanto irritada com a teimosia da amiga e Mikaelle assentiu devagar.

— Pode ser, mas se juntarmos as pecinhas do Quebra-Cabeças quem sabe concluímos alguma coisa e podemos nos ajudar? — disse e antes que a amiga pudesse protestar Mikaelle tira o papel do quadro de avisos e o leva consigo, deixando ali uma Beatrice confusa e preocupada com a amiga.

***

  Niall olhou para um lado e viu Harry, se escondeu o máximo que pôde enquanto guardava seus livros em seu armário. Ao olhar para o outro lado viu Louis, ele sabia que eles o tinham visto, quem sabe em outra ocasião não tivessem, mas estavam em um corredor vazio.

— Achou mesmo que daria certo? — perguntou Harry se desencostando do armário.

— Para ser sincero, a-achei.

— Vindo de você não espero mais que isso — caçoou Louis também se aproximando — mas como disse, isso veio de você, então é claro que não daria certo.

— Não está cansado do fracasso, Horan? — a esta altura ambos estavam apoiados nos armários ao lado do menor que podia sentir começar suar as palmas das mãos.

— Seu silêncio é muito reconfortante — disse Louis e o loiro apenas levou seu olhar a ele ainda sem saber responder.

  Harry passou seu braço por cima dos ombros do menor o guiando até o banheiro enquanto Louis os seguiam. Niall já podia presumir o que viria a seguir mas realmente esperava que não fizessem o que ele achava que fosse.

— Já brincou de ser mumificado antes, Niall? — Louis perguntou tirando um rolo de fita Silver Tape do bolso de sua college vermelha e preta com as iniciais do time de Harvard e ele negou veemente.

— O primeiro passo é ficar com a postura reta e os braços e pernas juntos — disse Harry e Niall o olhou como se ele fosse louco — Vamos, faça! — Niall continuou estático e tirando uma ponta Louis logo começou a enrola-lo com a fita.

   Louis começou pelos ombros, primeiro o direito e depois o esquerdo, depois os antebraços e depois continuou dos braços até os pulsos. Niall assemelhava-se a uma sereia ou lagarta parcialmente prateada, ele queria distrair-se do medo e rir, mas se fizesse, sua situação poderia ficar pior. E em questão de segundos Louis levou sua mão direita até a cabeça de Niall e puxou seus fios tingidos.

— Hey, calma aí, Louis — era loucura ou Harry estava comovido com o sofrimento de Niall? Se ele o impedisse de levar um caldo ele faria quantos trabalhos Harry desejasse — vou pegar a câmera! — e Niall soube que merecia aquilo.

  O cacheado voltou algum curto prazo de tempo depois com a alça do aparelho sobre os dedos enquanto segurava a câmera e observava a cena no pequeno visor.
  Louis afogava a cabeça de Niall na privada por diversas vezes sem cessar, enquanto Harry pressionava o botão de descarga e os pulmões do loiro pareciam arder em chamas mesmo que o garoto estivesse sendo afogado em água. Não era um simples afogar e deixar o corpo de Niall sem ar, o ato parecia também afogar suas expectativas, sonhos, esperanças e o que mais o garoto tivesse com relação ao aumentar sua sociabilidade e diminuir sua humilhação.

***

  A garota parou por um instante diante da residência e só então percebeu que não fazia ideia de como abordá-lo, não era simplesmente chegar e dizer o porquê de estar ali, ou era? Bem, ela não estaria mentindo se dissesse que estava ali para dar a ele aulas particulares de francês, era de fato verdade, e também era verdade que iria conseguir o que queria também lhe dando aulas de francês. Segurando algumas cartas que estavam jogadas ao chão ao lado da caixa de correios quebrada ela subiu os degraus da fachada de madeira branca e parou diante à porta. Embora não quisesse admitir, ela sabia que Zayn era como um gato arisco, assustado e indefeso, a menos que faça algo errado.
   Ele atendeu rápido depois de ela bater duas vezes, como se estivesse a esperando do outro lado da porta ou apenas procurando uma desculpa mínima para sair, mesmo que só até a fachada.

— Oi, err.... Isso aqui estava no chão quando eu passei — encrespou os lábios e estendeu as cartas que ele pegou rapidamente sem desconectar o seu olhar do dela, ele a olhava entre as frestas da pequena corrente que ainda trancava a porta, baixou o olhar e começou a empurrar a porta devagar — Espera aí, eu vim para te dar aula, alguém da escola te ligou, não é? — então ele fechou a porta rápido, ela baixou o olhar estática e piscou devagar mas suspirou ao ouvir o som da porta sendo destrancada.

Ele a abriu mais e colocou a cabeça para fora.

— Por que você? — disse por fim,a voz depois de alguns dias sem ouvir soando novamente inédita para a garota.

— Eu sou monitora de francês, e me ofereci — ele suspirou pesado e ela teve um pouquinho de receio de que ele tivesse se irritado — eu olhei o programa do curso e montei um cronograma para o resto do semestre, se eu te der aula três vezes por semana nós podemos... — foi interrompida pelo frio na barriga que lhe surgiu quando ele bruscamente saiu e fechou a porta atrás de si.

— Olha, você não pode entrar, não quero que meus pais pensem que estou me metendo em encrencas, ainda mais se me virem com você — ela continuou com seu olhar fito nele e ele logo se apressou em continuar — não que você...

— Está bem, tudo bem, eu sei... Tem outro lugar onde a gente possa ir?

— Eu não posso ir a outro lugar — disse baixando os olhos até a tornozeleira e ela também o fez e umedeceu os lábios, automaticamente se sentiu uma completa idiota, é engraçado como as coisas dão erradas quando o que você mais quer é que deem certas.

— Seu pais vão se incomodar se a gente se sentar aqui na sua porta? — ele deu de ombros rapidamente.

  Ela se virou se sentando no primeiro degrau da escada e ele fez o mesmo. Ele analisava um livro da matéria com muito interesse simplesmente para não ter de olhar nos olhos da garota, era só diferente vê-la de novo, ele não esperava que depois do acontecido no ginásio ela voltasse a falar com ele, ele a ajudou, ela retribuiu e acabou. Ela abriu o zíper da mochila que havia posto no degrau de baixo e entre as suas pernas e tirou de lá o objeto.

— Eu trouxe uma coisa — disse e lhe entregou o livro. Ele analisou a capa mole e a HQ de não muitas páginas e leu o título em francês, ela sorriu.

— O Soldado América?

— O Capitão América, é uma adaptação da HQ original em inglês para o francês, não é uma tradução literal mas ler algo que já conhece ajuda a treinar.

— Como sabe que eu leio?

— Uma vez eu te vi lendo O Homem-de-Ferro e achei que fosse gostar desse — desviou seu olhar dos olhos castanhos dele até as pequenas plantas que nasciam entre algumas partes quebradas da calçada.

— O que veio fazer aqui? — ela tinha de admitir que a pergunta lhe assustou um tanto, deu um grande suspiro.

— O seu professor quer que reveja os tempos condicionais, a revista tem exercícios que... — dizia enquanto colocava sua mochila ao seu lado.

— O que quer? — foi interrompida e logo levou seu olhar ao dele.

— Por que acha que quero alguma coisa? — perguntou já cansada daquele joguinho idiota de ignorar suas insinuações.

— Porque você não faz nada sem uma razão.

— Quem te disse isso?

— Ninguém precisou me dizer.

Ela olhou para trás observando a janela aberta, não parecia haver alguém ali.

— Fez mesmo aquelas coisas? As que vivem dizendo que você fez?

— E você acreditaria se eu dissesse a verdade?

— Depende da sua resposta — ele deu um longo suspiro.

— Não, não tudo o que dizem, mas já fiz algumas coisas das quais me arrependo.

— Então não foi você que... — ele arqueou as sobrancelhas esperando a terminação da frase que não veio.

— Não.

— Sabe quem foi?

— Não — omitiu um fato mesmo que deduzisse quem poderia ser.

— Então alguém que não sabe quem é armou para você?

— Talvez, mas por que todas essas perguntas? Por que mudou de ideia?

— Não mudei de ideia, não tinha uma opinião formada sobre você só pelo que ouço por aí, não sou assim — ele esperava uma resposta e ela logo respondeu sua pergunta — talvez estejam fazendo algo parecido comigo, talvez a mesma pessoa.

— E como se sente?

— Muito mal, me dá medo — Mikaelle estava se abrindo de uma forma que não havia feito com ninguém até então, até mesmo com Harry ou Beatrice, e isso tirava um peso enorme dos seus ombros.

— Por que fariam algo contra você? O que a faz uma pessoa tão importante?

— Nós dois sabemos que todos têm motivos para fazer algo contra mim, pelo menos todos de Harvard, mas se for a mesma pessoa que armou contra você, não sei.

— Vai ver sabe de alguma coisa que não deveria saber... — ela se assustou um pouco novamente mas tentou disfarçar.

— Toda vez que eu acho que sei de algo alguém puxa meu tapete e eu acabo quebrando a cara.

— Cedo ou tarde.

— Tôt ou tard — o sotaque francês puxado em sua voz, eles riram — olha, me desculpa se eu pensei ou falei algo de você — ele desviou o olhar, sabia que ela falava a verdade, só não queria levantar o resto e ver aquele olhar de pena que tanto conhecia.

— Então tinha uma outra opinião formada sobre mim antes? — levantou seu olhar com um sorriso no rosto e antes que a garota pudesse responder eles ouviram a janela ser fechada e se viraram assustados.

— Olhe, eu tenho que ir, valeu pelo quadrinho — disse apressado e da mesma maneira se levantou até a porta.

— Está bem... — então ele sorriu fraco e entrou — de nada... — ela disse em direção a porta já fechada.

 Ela suspirou ainda na mesma posição e ficou assim por alguns segundos, então ouviu o celular tocar na mochila mas demorou um pouco até achá-lo em meio aos seus livros.

"Que feio Mika, dando aulas falsas e usando o pobre Zayn para conseguir respostas —A"

Seu/Nome P.O.V's

  Desferi mais algumas poções e feitiços contra o personagem de Niall, e logo a batalha foi dada como encerrada e em questão de segundos seus pontos de ação passaram para minha personagem, eu sorri pensando no quão irritado ele poderia estar. E em menos de minutos o ícone do bate-papo piscou chamando minha atenção, "BlondieWalker17 lhe chamou para uma nova conversa" era o que dizia a mensagem acima do ícone, cliquei no mesmo abrindo o chat.

"Arg! Que tédio!"

"Isso tudo é tédio mesmo ou apenas frustração por estar perdendo todas as batalhas para mim?"

"Não (Seu/Nome), é tédio mesmo"

"Haha, sendo assim, somos dois, já estou enjoada de tanto ganhar, LOL"

"Bem, está afim de sair?"

"Sair? E onde iríamos?"

"Ah, sei lá, apenas sair pra matar o tédio"

"Sendo assim, por que não?"

"LOL, passo aí em dois minutos"


 "BlondieWalker17 encerrou o chat de conversa com você", ri e também fiz o mesmo saindo do chat e desligando meu computador, me levantei e caminhei até meu guarda-roupas e apenas peguei meu casaco jeans e desci as escadas pronta para esperar Niall, mamãe e papai ainda não haviam chegado do trabalho, e como não sabia exatamente se demoraria ou não apenas lhes deixei um bilhete informando que fui dar uma volta com Niall e que logo voltava e que não precisavam se preocupar. Ouvi a campainha tocar e corri para atender a porta, ciente de que era Niall quem me esperava do outro lado.

(•••) 

  Niall não mencionou aonde iriamos, e não me importei muito em saber, apenas queria matar o tédio, desde que não ficássemos presos numa floresta no meio do nada sendo ameaçados por uma pessoa desocupada e que achassemos um corpo, por mim tudo bem. Havíamos pego um ônibus e durante o percurso conversávamos sobre tópicos aleatórias, enquanto eu observava Niall atentamente. 
  Eu me perguntava o motivo de nunca ter reparado em Niall. Tipo, reparado pra valer. Eu o tinha visto inúmeras vezes, mas nunca enxergado; e eu estava me batendo mentalmente por isso. Uma beleza daquela era merecedora de atenção. E ele estava sendo tão educado, usando seus termos nerds, que eu sequer repassei em minha mente que estávamos indo fosse lá pra onde, de ônibus. 
  Niall até pagou minha passagem. E eu não me enganchei na catraca, como sempre faço. Tudo perfeitamente ótimo. Depois de um tempo Niall se levantou, pedindo para que eu fizesse o mesmo. Havíamos chegado ao destino pretendido.
  Era uma avenida comum, com várias ruas paralelas e gente brotando de tudo quanto era canto. Caminhamos sem pressa alguma, passando defronte vitrines atrativas, monumentos estranhos e becos isolados. só paramos mesmo depois de uns quinze minutos andando, e — por mais que eu tenha tentando — não consegui adivinhar que lugar era aquele. Fora que tinha uma placa dizendo "Fechado para manutenção. Tempo indeterminado" presa na porta de ferro.

— Oh, droga — Niall resmungou.

— Você já pode contar o que pretende, sabe.

— Hm... — ele murmurou — Não, não agora. Meus planos não estão totalmente frustrados.

— Mas a placa — apontei para o quadrado de madeira, onde o aviso, de caligrafia mal feita, estava gravado.

— Eu conheço outra entrada.

— Por que será que isso está parecendo encrenca? — cerrei os olhos, encarando-o.

— Porque, se fomos pegos, com certeza estaremos encrencados.

Ele se virou, voltando a andar.

— Você não parece ser o tipo de cara que comete loucuras, Horan — comentei, não podendo perder a oportunidade de zoar Niall.

— Você não me conhece, Lancaster — riu. 

Maneei a cabeça e continuei o seguindo.

— Qual foi a maior loucura que você já cometeu? Ter revelado uma fonte que era pra ser anônima, no seu jornal? — continuei o provocando.

— E quanto a você? — retrucou, no mesmo tom brincalhão — Não arrumou seus livros por ondem alfabética?

Eu ri.

— Pra ser sincera, a maior loucura que já fiz foi ter aceitado o convite de Liam para acampar com vocês aquela noite.

— Touché — levantou as mãos — Eu também.

Niall parou bruscamente, quase fazendo com que eu desse um encontrão nele.

— Ei — reclamei.

— Desculpa.

  Ele olhou para um lado e para o outro, e eu também fiz o mesmo. Não havia ninguém naquela parte da rua. E, pra falar a verdade, aquele era um lugar bem estranho. Estávamos de frente para uma cerca de arame, e do outro lado tinha uma espécie de passagem estreita e extensa. Aquela parte era o que parecia ser a entrada dos fundos, seja lá que lugar fosse aquele.

— Eu devo começar a ficar desconfiada de você?

  Ele riu. Por que ele riu? Eu estava falando sério! Não, estava nem um pouco afim de me meter em encrencas novamente.
  Niall, como uma espécie de baderneiro profissional, pegou a lateral da cerca, forçando-a mais ainda para o lado. Ele conseguiu abrir uma fenda estreita, porém espaçosa o suficiente para que passássemos. 

— Senhorita — fez um gesto com a mão, indicando que eu passasse primeiro.

— Se eu travar aqui a culpa é sua.

  Sem dificuldade alguma eu consegui passar. Com ele foi um pouco mais difícil, já que o mesmo acabou se atrapalhando um pouco. Niall me encostou na parede e — por um momento — meu coração parou. Mas então ele passou, lateralmente, por mim; seu corpo muito grudado ao meu. Eu fiquei travada por alguns segundos, tentando recuperar minha dignidade, e então o segui.
  Ele parou de frente para uma porta vermelha, cheia de ferrugem. Tateou a parede com a mão esquerda, tirando um dos pequenos tijolinhos laranjas da parte de cima. De dentro do buraco na parede, ele pegou uma chave.

— Greg tem um colega que é dono daqui — explicou — eu queria te trazer de forma honesta, pagando e tal. Mas como está fechado... — Deu de ombros.

  A porta se abriu num gemido arrastado, deixando claro que o quão velha estava. Uma claraboia no centro do teto iluminava metade do local em que estávamos — um corredor mais aberto, mas não menos claustrofóbico. Niall abriu a segunda porta, esta não fazendo barulho algum. Ele pressionou um interruptor, e assim que passei pela porta, finalmente pude me dar conta de onde estava.

— Não creio! 

  O espaço era enorme, com alguns bancos vermelhos aliados em arquibancadas. O teto alto estava apoiado por algumas vigas; as paredes estavam pintadas num fosco tom de azul. E no centro, a pista de gelo.

— Gostou?

O encarei, ainda sorrindo.

— Está brincando?! Cara, você invadiu um rinque de patinação!

— Ponto pra mim então — ele comemorou, guiando-me para o outro lado do local — você sabe patinar?

— Sim — assenti, mesmo que ele não estivesse vendo.

— Olha, ganhei uma nova instrutora!

— Espera aí, você não sabe patinar?

— Uhm — negou — eu sempre venho aqui, mas só pra conversar com Carl. Aquilo ali — apontou para a pista — é assustador.

— E você vai se arriscar hoje?

— Hãn, acho que sim — assentiu — só não vá rir de mim.

  Eu iria dar muita risada, com certeza. Já podia até imaginar Niall se atrapalhando todo e logo depois se esborrachando no gelo.

— Claro que não irei rir de você — neguei, tentando esconder o riso.

   Ele parou diante um balcão, atravessando-o por cima. Olhou para a prateleira embutida na parede, dividida em dezenas de gabinetes quadrados, no qual estavam depositados vários patins.

— Preferência por cor? — perguntou, me olhando por cima do ombro.

— Não.

— Que número você calça?

— 35.

   Niall pegou um par de patins azul para ele e um branco pra mim. Ele se abaixou por detrás do balcão e, quando se levantou novamente, tinha uma lata de spray em mãos. O conteúdo da latinha foi espirrado dentro dos patins, para desinfetar. 

— Prontinho.

Voltamos para onde ficava a pista.

  Me sentei em uma das poltronas e me livrei do par de tênis, empurrando-os para qualquer canto. Os patins couberam perfeitamente em meus pés; as laminas metálicas eram brilhantes e afiadas, prontas para encarar o gelo sólido. A entrada da pista ficava à poucos passos, o que facilitava a passagem das pessoas que ali iam. Mas agora estava tudo vazio e silencioso, devido ao fato do lugar estar em manutenção. E, estando ali, nós estávamos quebrando um bocado de regras. Mas eu não me importei com aquilo na hora.

— Ande no tapete de borracha até que consiga adquirir equilíbrio — instrui à Niall.

   Eu me deslizei para dentro da pista, equilibrando-me com perfeita maestria no gelo. Niall vinha logo em seguida, segurando de forma firme na barra lateral.

— O que eu faço? — perguntou.

— Primeiramente, nada de medo — comecei — segure na mureta e comece a dar voltas na pista.

  Ele assim o fez, devagar. Me coloquei ao seu lado, acompanhando-o. Não havia nenhum segredo para aprender a patinar, a pessoa precisava apenas se manter equilibrada, com os olhos fixos em algum ponto e ter movimentos constantes e graciosos. Niall havia pego bem o espírito da coisa toda, e logo se arriscou ir para o centro. Então ele escorregou.
   Eu comecei a rir, porque segurar o riso nunca foi uma dádiva minha. E Niall não ficou bravo, ele apenas riu junto.

— Será que pode me ajudar? — pediu, estendendo as mãos.

   Deslizei até ele, pegando-as. E, como uma mini vingança, ele me puxou para o chão, fazendo-me cair ao seu lado. O ataque de risos não cessou.
   Nós ficamos por cerca de meia hora patinando. Niall caía de segundo em segundo, e eu apenas me arriscava em alguns deslizes mais difíceis. Teve até uma hora em que ele me parou e ficou apenas me observando, o que me deixou um tanto desconfortável.
   Fomos até as máquinas de refrigerantes e salgadinhos que haviam ali e fizemos uma pausa para o lanche. Enquanto estávamos sentados na arquibancada, criávamos tópicos afim de nos conhecemos melhor, afinal, Niall era como uma caixinha de surpresas e eu sempre conhecia e descobria coisas novas sobre si.
   Não tenho certeza absoluta de quanto tempo ficamos lá, mas era como se já nos conhecêssemos há séculos. Nós voltamos a patinar, e arriscamos até uma corrida. Eu ganhei, é claro. Mas como tudo o que é bom dura pouco, precisávamos ir embora. E enquanto nos dirigíamos até onde guardaríamos os patins, eu jurei ter visto o vulto de alguma pessoa ou coisa dentre as arquibancadas, ignorei isso e continuei o percurso seguindo Niall. 
   E quando chegamos até onde a prateleira embutida estava, uma coisa muito estranha havia acontecido, os milhões de patins que antes estavam lá, agora já não estavam mais lá, havia apenas um único patins, como se alguma pessoa estivesse ali junto a nós e o havia deixado ali, eu e Niall nos entreolhamos estávamos prontos para calçar nossos tênis e sair dali o quanto antes, porém paramos no instante em que vimos, ao longe uma pessoa sentada na arquibancada, não era possível ver seu rosto por conta do capuz vermelho que usava que tampava boa parte de seu rosto, a pessoa estava estática enquanto parecia nos observar atentamente, ela vestia um casaco vermelho na qual tinha um capuz, e seus demais trajes eram pretos. Demos alguns passos em direção a essa figura macabra e paramos no segundo em que sapatos pequenos e vermelhos entraram no nosso campo de visão seguido por uma voz.

— Como entraram aqui?

  Subi lentamente meu olhar, vendo calças azuis escuras e uma barriga cheinha. Oh, droga!

— Respondam — a voz masculina tornou a dizer, dessa vez mais firme. Levantei mais meu olhar para seu rosto: era um guarda — Vocês não tem autorização para estarem aqui, não viram a placa lá fora?

— Eu hãn...

  Ouvimos a porta de ferro ser fechada com força, e quando voltei meu olhar a arquibancada a pessoa encapuzada já não estava mais lá.

— Ah, eu não acredito — o guarda falou, encarando à Niall e depois voltando para mim — Vocês dois estão muito encrencados. Muito encrencados.

  Niall voltou-se para mim com um olhar de "ferro". E não pensei duas vezes antes de driblar o guarda e saltar de uma arquibancada para outra, alcancei o casaco vermelho deixado sobre a arquibancada, o peguei e segui a Niall que corria em disparada em direção a saída, enquanto o guarda gritava por nós.
   Eu estava desesperada e só pensava em poder sair de lá o mais rápido possível, já Niall parecia mais relaxado em relação a nossa situação, ao julgar pelas gargalhadas altas vindas dele que ecoavam pelo rinque de patinação. Ouvimos o guarda falar com alguém pelo walkie talk e chamar por reforço, mas já era tarde demais, antes mesmo que ele pudesse nos alcançar conseguimos sair e num completo ato de desespero pular a cerca de arame.
   Havíamos corrido desesperadamente por dois quarteirões seguidos, e já estávamos longe o suficiente para que o guarda não tivesse mais chances de nos alcançar. Paramos depois de alguns minutos e eu me apoiei em uma parede e joguei a cabeça para trás, Niall se apoiou em seus joelho e respirou fundo, ficamos uns minutos em silêncio esperando nossas respirações se normalizarem, e logo explodimos em uma gargalhada, rindo da completa loucura na qual fizemos e também da encrenca em que poderíamos ter nos metido. 

— Essa noite foi um desastre, mas não posso dizer que não me diverti — Niall disse, minutos depois de nossas gargalhadas cessarem, assenti concordando com o mesmo.

— Bem, ao menos não foi um completo desastre, eu consegui pegar o casaco — O estendi o casaco vermelho, ele o pegou o observando atentamente.

— Será que esse aqui é mesmo o casaco do -A? 

— É o que parece — dei de ombros.

   Niall começou a vasculhar os bolsos do casaco e tirou de um dos bolsos um pequeno papel branco, no qual me parecia um tipo de recibo. 

— Bem, pelo que me parece foi feito por encomenda e custou 25,00 €, e foi encomendado na Holmes Chapel: costumes & masks — franziu o cenho, me fitando. Nossos celulares tocaram ritmadamente, nos entreolhamos e pegamos nossos aparelhos celulares e lemos as mensagens junto e em uníssono.

"Depois não me digam que nunca lhes dei nada -A"   

— Algo me diz que temos um lugar para ir.


CONTINUA...

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Hella Fella! Td bem? Obg pelos comentários no capítulo anterior mesmo q tenha demorado U_U fickfkckx Espero que tenham gostado do capítulo tanto quanto eu gostei, comentários nos incentivam principalmente se forem grandinhos, mas amo td q vcs comentam. Vou deixar uma pergunta no mínimo irrelevante mas q eu queria fazer, vcs preferem Harry fodedor ou Harry doce? Cargas de amor - Bea



Angels or Demons? - Capítulo Três

Um comentário:

Capitulo Três - The boy or a monster?

"I'll stop the whole world
I'll stop the whole world from turning into a monster
Eating us alive
Don't you ever wonder how we survive?
Well now that you're gone the world is ours"

olhei para trás e....

Me deparei com dois grandes olhos azuis, logo coloquei a mão em meu coração percebendo que o mesmo estava acelerado.

Emma: Niall, você me assustou.

Ouvi-o soltar uma risada pelo nariz.

Niall: Desculpe, não foi minha intenção, é que vi que entrou meio assustada na sala, olhando para todos os lados.
Emma: Ah , está tudo bem, estou bem. -sorri forçadamente.
Niall: Tudo bem então, qualquer coisa sabe onde me encontrar.

Afirmei com a cabeça, e suspirei de alivio quando ele se virou para ir embora, deslizei um pouco na cadeira, passei a mão em meu rosto, e percebi que havia alguém me observando, e é obvio que eu já sabia quem era. Olhei um pouco de lado, e lá estava ele me encarando, e me dando o mesmo sorriso da noite anterior. É claro, foi ele que colocou aquele maldito bilhete em meu armário, por um ato impulsivo, dei um tapa na mesa, com toda minha força, fazendo assim com que todo mundo me olhasse, corei e me virei pra frente, respirando fundo. As horas foram se passando, parecia que se passaram anos e mais anos, até que o sinal tocou, com um suspiro levantei, logo guardando minhas coisas, e saindo daquela sala.

                                                                               Harry P.O.V

A noite passada não foi uma das melhores para mim, conheci, finalmente, a menina de quem todos falavam, e sinceramente, esperava coisa melhor. Queria tê-la matado, mas ela é mais forte que eu imaginava, e ela nem se quer sabe que tem tanto poder. Como alguém pode ser tão poderoso a ponto de não saber do próprio poder? Não é possível. Lá estava eu, deitado nos bancos da arquibancada da escola, esperando o Louis terminar sua aula de Educação física, francamente, não faço ideia porque ele ainda se importa em fazer essas coisas. Peguei meu celular, coloquei uma musica para tocar "Closer - Kings of leon", fiquei batucando com os dedos em minha perna, e quando olho para o lado, quem está? Emma. Pena que não era a Emma Watson, pelo menos se fosse, teria me divertido um pouco. Emma Johnson, estava ali, novamente em minha frente. Mais uma chance para completar meu plano. Não irei matá-la, pelo menos, não agora.
Me levantei, andei lentamente até ela, e me sentei ao seu lado. Abri um sorriso, forçadamente simpático.

Harry: Olá. -digo bem perto de seu ouvido.
 
                                                                               Emma P.O.V

Vim para a quadra, pois tenho que comparecer as aulas de EF, para não repetir de ano, mole? Ninguém merece. Me sentei em um banco bem perto da quadra, e fiquei observando o jogo, até que alguém se senta ao meu lado, ouço uma voz abafada bem perto de meu ouvido, logo me arrepio toda e me viro para olhá-lo assustada.

Emma: O-o que... É, oi.

O olhei de cima a baixo disfarçadamente, contendo o medo que havia dentro de mim, ele estava com uma calça jeans preta colada, um converse branco e uma camiseta preta, seu cabelo encaracolado que iam até os ombro, estavam soltos, todo bagunçado, se eu não o odiasse e não sentisse medo, confesso que o acharia bonito.

Louis P.O.V

Meu time estava perdendo, e eu não conseguia prestar atenção na bola, não com o que estava acontecendo na arquibancada. Harry, estava agindo, estava conversando com Emma. Droga Harry, ele não poderia matá-la na frente assim de todo mundo, tenho que impedir. Mas como? Ele também poderia contar nosso segredo, e não está na hora, ainda não. Dei um tapa em minha testa, Tomlinson, como você é burro. Olhei novamente para o jogo que estava acontecendo em minha frente e percebi que a bola vinha em minha direção, então logo a chutei para a arquibancada, mirando em Harry, mas quando olhei para ver onde tinha acertado, tinha sido em Emma. Corri preocupado até eles.


Emma P.O.V

Harry me encarava, como se não houvesse outra coisa ali, como se só houvesse nós dois. Corei, não me contive, aquele olhar em cima de mim, era dificil não se envergonhar. Olhei para o jogo para "esquecer" que Harry me encarava, mas me arrependi de ter o feito, quando olhei, a bola vinha em minha direção numa força que eu julgava impossivel, então ela acertou em minha cabeça, me fazendo cair para trás e bater a cabeça em um dos bancos, a ultima coisa que me lembro ter visto foi os olhos de Harry, preocupados, como nunca havia visto antes. Levei a mão em minha cabeça, e estava molhada, olhei minha mão e ela estava vermelha, sangue. Logo depois, não vi mais nada, a escuridão surgiu, e me engoliu...

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Bom galerinha, por hoje é só. Me perdoem por ficar todo esse tempo sem postar, eu fiquei meio sem tempo, não parei em casa, mas sempre que tiver um tempinho de sobra estarei postando aqui, prometo, de dedinho, e sei que promessa de dedinho não se quebra aushaushuahs... Escrevam suas opiniões ai embaixo, é sempre bom saber. Beijocas :*

Madness Of Teens - Capítulo nove / 1ª Temporada

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Capítulo nove - Aquela Garota é Veneno

"A adolescência é complicada demais para um adolescente" 

Narrador On.

 De qualquer forma seria muito estranho para Pâmela voltar para a aula na segunda feira normalmente, a loura escutaria seu despertador, então o adiantaria por dez minutos. Quando ele voltasse a tocar, ela se sentaria na cama. Então ela pensaria, durante três minutos, numa maneira de enriquecer logo apenas fazendo algo na qual gostava: escrever. Não encontrando tamanha solução, ela finalmente se levantaria. Então ela procuraria por uma blusa limpa, vestiria um jeans qualquer e calçaria seus costumeiros par de tênis. Logo após lavaria seu rosto, escovaria os dentes e depois amarraria seus cabelos loiros em um rabo de cavalo simples. Voltaria para seu quarto, se jogaria em sua costumeira cadeira de rodinhas e leria os comentários deixados em seu último post sobre os "Maldosos de Harvard", que para falar a verdade estava lhe dando muito ibope e rendendo muitas visualizações. Depois disso, desceria para tomar café, onde seria irritada por Mike, paparicada por seu pai e repreendida por sua mãe — que sempre, sempre mesmo, tem um motivo para lhe dar bronca. Aí por fim iria para escola, lamentando tamanho infortúnio.
   Tá que naquele dia ela passou pela mesma rotina, sem tirar nem por. A grande diferença é que a garota não se importou com nada que antes, todo santo dia, costumava lhe irritar. Ela não bateu em Mike por estar mastigando de boca aberta, por exemplo. Ela não revirou os olhos quando sua mãe reclamou das companhias que ela andava. E nem sequer ficou feliz quando seu pai lhe ofereceu uma carona, muito pelo contrário. Talvez ela apenas estivesse frustrada e irritada demais com o que andava rolando, e com isso, não conseguia pensar em mais nada que não fosse -A e suas mensagens macabras.
  E enquanto pensava nisso, Pâmela nem sequer viu o caminho passar através dos vidros escuros da janela do carro de seu pai, para falar a verdade ela nem ao menos se perguntou o porquê de ele estar indo trabalhar mais cedo hoje. Ela só queria voltar para casa e dormir. Ou quem sabe descobrir quem é -A.

— Está tudo bem, Pam?

— Sim pai.

— Certeza?

  A loira então suspirou e voltou sua atenção a paisagem do outro lado do vidro do carro. Seu pai então pareceu entender e não tocou mais no assunto.

— Convidei Jeff e sua família para jantarem conosco hoje, pedi a ele para que levasse Courtney.

  A garota então se segurou para não revirar os olhos. Ela não gostava de Courtney, e isso parecia óbvio para todos, a não ser, é claro, para seus pais que insistiam em pensar que a filha se dava bem com a garota. Julgavam Courtney como uma boa influência para Pâmela, sem contar que para os pais de Pâmela, Courtney passava a imagem  de que amava incondicionalmente a garota, o que para Pâmela apenas soava como uma grande piada.

— Hm, legal.

 Foi tudo o que a loura disse.

— Chegamos — anunciou seu pai assim que parou o carro frente aos portões da grande Harvard — Boa aula, querida.

— Obrigada pai — ela agradeceu e se apressou em pegar sua mochila e saltar para fora do carro, porém antes de sumir entre os alunos espalhados no campus ouviu seu pai lhe chamar.

— E Pam — a garota virou-se para o pai — não se meta em encrencas, por favor.

 E revirando os olhos ela assentiu e continuou o seu percurso pelo campus. Ao longe, ela avistou Liam sentado abaixo de uma grande árvore enquanto ouvia música em seus fones e jogava algum tipo do joguinho em seu videogame portátil, a garota caminhou até Liam e o empurrou sentando-se ao seu lado animadamente.

— Hey Pamy — saudou a amiga antes de retirar os fones.

— Oi Liam, o quê está jogando aí?

— Mario Kart — fez uma careta guardando o videogame portátil — seu pai lhe trouxe hoje?

— Sim — mordeu o lábio — aliás, levei uma bela bronca, duvido muito que eles confiem em mim novamente.

— Sinto muito — murmurou.

— Por nada, a culpa não foi sua, aliás.

  Liam assentiu lentamente e focou em um ponto fixo, Pâmela fez o mesmo, porém diferente do amigo seus olhos focaram numa Courtney do outro lado do campus conversando animadamente com alguns garotos do time de natação da escola. Pâmela revirou os olhos e bufou, Liam percebendo o que ela olhava não pensou duas vezes antes de perguntar:

— Quando essa sua implicância com a Courtney Dawson vai acabar?

— Não sei, talvez quando ela sumir do mapa, por exemplo.

 Liam riu e negou com a cabeça.

— Ainda não entendo porque não gosta dela.

— Ela é uma falsa Liam, ela me odeia mas parece que nem todos percebem isso. É por isso que agradeço por ter você — ela vira-se para Liam, e sorri o mesmo apenas pigarreia e coça a nuca parecendo um pouco desconfortável.

— Para falar a verdade, eu nunca sequer vi ela fazer algo contra você.

  Pâmela abriu levemente a boca um tanto chocada com o que Liam revelara.

— Como não, Liam?! Tá na cara, ela sempre... Arg! — esbravejou — ela sempre tem que estar acima de mim em tudo, veja bem, eu resolvi criar um blog, ela criou um site, entrei para o teatro da escola, ela entrou para uma coluna no jornal da escola. Até quando éramos mais novas ela queria ser a melhor, no dia do meu aniversário de sete anos, ela resolveu fazer uma festa de chá, uma festa de chá com biscoitos, Liam!

 O garoto apenas deu de ombros.

— Só por que ela seja melhor que você em algumas coisas não quer dizer que te odeie.

— Você não disse isso, Liam.

— E para falar a verdade, ela até que é bem... Gostosa — disse, e apontou com a cabeça para Courtney que se abaixava para pegar um caneta que havia caído, Pâmela olhou para Courtney e logo depois para Liam que continha um sorriso sacana nos lábios.

— Com licença que preciso vomitar agora — pegou sua mochila, e se levantou rapidamente.

— Ah qual é? Pamy?! — Liam gritou a amiga completamente incrédulo com sua atitude.

— Vá se foder, Payne! — gritou, e ainda de costas lhe mostrou o dedo do meio. Liam negou com a cabeça enquanto bufava.

 Ela tentou ignorar completamente o fato anterior, isto é, não é algo com que ela deveria se importar, e ela não o faria. Ao observar as outras duas garotas ali a loira logo se juntou a elas engatando numa conversa que mesmo ainda não sabendo o assunto ela sabia que seria melhor que a que tivera com Liam.

— Se ao menos tivesse valido á pena, a única coisa que ganhei com isso tudo foi uma bronca de aproximadamente duas horas — embora a morena (Seu/Nome) soubesse que os pais tinham razão em brigar com ela ainda sim revirou os olhos.

— Eu tinha umas 1.000 chamadas perdidas dos meus pais — dizia Stefany enquanto empurrava os muitos livros para dentro do pequeno armário vermelho metálico.

— E o idiota do Liam nem ao menos conseguiu capturar a pessoa — as outras garotas viraram-se notando a presença da outra ali e sorriram fraco.

— Avise o Liam para nunca mais na vida dele me chamar para fazer nada — disse (Seu/Nome) e as outras duas riram. Logo o corredor começara a se lotar de alunos eufóricos.

— Depois de tudo nós não temos ao menos nenhuma pista de quem possa ter sido a pessoa — disse a ruiva e as outras duas assentiram lentamente.

 (Seu/Nome) se encostou sobre o metal gélido do armário e suspirou, ele estava ali, a poucos metros dela numa sala distinta enquanto tinha atenção presa a alguns papéis. Ele ajudava o professor de literatura com algumas pequenas tarefas enquanto o mesmo tomava um xícara de café, ela sorria mesmo que nada que de fato a fizesse sorrir estivesse acontecendo. A ruiva observava aquilo tudo com um olhar curioso e também notou quando ele a viu e acenou também sorrindo.

— Não vai mesmo nos contar o que rola entre você e o Sheppard?

— Não rola nada, nós só saímos para um passeio e... Nos beijamos — disse indiferentemente e se virou para a amiga.

— Caralho! Você está tendo um rolo com Thomas Sheppard! — anunciou, desnecessariamente a loura. As amigas a olharam surpresa — Okay, me desculpem pelo palavrão.

— Acho que você está passando tempo demais com Liam — disse a ruiva ciente de que este tinha o hábito de falar palavrões ás vezes. A outra revirou os olhos simplesmente — Me diz, ele beija bem? Por que ele tem cara de que beija bem — a morena o viu aproximar-se das garotas, ela queria tapar a boca de Stefany com a mão ou fazer qualquer outra coisa que a fizesse parar de falar porém antes que pudesse a outra começou a falar.

— Ele tem pegada? — (Seu/Nome) apenas a olhou apavorada sem tempo até para ao menos raciocinar o que era uma ''pegada''.

— Err... Olá meninas — elas coraram ao ouvir sua voz soar atrás de si.

— Okay... Nós vamos... Deixar vocês a sós — disse desconcertada e depois puxou a ruiva pelo braço e saíram dali.

— Hum... Olá Thomas.

— Olá (Seu/Nome) — cumprimentou-a com um sorriso.

— Me desculpe pelas garotas, elas se empolgam quando o assunto é "minha vida amorosa" — disse e sorriu envergonhada. O outro apenas riu pelo nariz.

— Sem problemas — também sorriu.

Silêncio. O maldito silêncio ensurdecedor.

— Está ótima hoje — disse e a observou corar.

— Obrigada.

— Está livre hoje á tarde?

— Estou... — semicerrou os olhos.

— Estava assistindo alguns dos filmes de zumbi que eu tenho e estava pensando que você poderia ir lá em casa assistir comigo.

— Seria adorável, Thomas, mas... — não seria muito educado se ela dissesse simplesmente "eu não gosto da sua irmã, então não'', não é? — eu vou ter de estudar com Pâmela depois da aula, fez o seu melhor olha de "sinto muito".

— Tudo bem.

— Me desculpe por isso — ele assentiu e sorriu fraco.

— Não pense que eu não tentarei te chamar para sair de novo.

— Eu sei que sim — e ambos sorriram, o sinal tocou despertando a ambos — bem, eu tenho aula agora, então... — disse e apontou atrás de si.

— Até mais, (Seu/Nome) — sorriu e acenou.

  Ela adentrou à sala se dirigindo logo a sua típica carteira. Joe se sentara a três mesas a sua frente e dava uma visão perfeita de seu calcanhar machucado e suspeito.

***

— Você só pode estar de brincadeira, Tomlinson — Mikaelle proferiu lentamente enquanto analisava o rosto do de olhos azuis.

— Bem que eu queria, Styles, mas não.

  E com um dar de ombros Louis abriu sua garrafa d'água e deu um gole na mesma.

— Droga! — esbravejou Harry, e desferiu um soco contra a parede da biblioteca.

— Como você pôde ter deixado que o notebook sumisse assim do nada?!  — perguntou Beatrice, igualmente incrédula assim como os três amigos.

— Eu não sei, já disse, uma hora eu e Adam saímos para almoçar e na outra o notebook não estava mais no cofre.

— Me deixe ver o bilhete de novo.

  Louis retirou o bilhete já um tanto amaçado do bolso e entregou a Mikaelle, ela o observou cuidadosamente e entregou a Harry.

— Essa caligrafia não lhe parece familiar? 

  Louis e Beatrice arquearam as sobrancelhas lentamente observando o pequeno diálogo que os gêmeos tinham entre si.

— Não é apenas uma pessoa — concluiu Harry.

— Ótimo! — Louis proferiu adenoide, com um pingo de sarcasmo em suas palavras — o gênio aqui concluiu algo que já sabíamos a tempos, parabéns amigo! — ainda em seu tom habitual de sarcasmo Louis deu tapinhas nos ombros de Harry, que apenas revirou os olhos.

— Tudo bem que já sabíamos disso, mas isso aqui — apontou para o bilhete amaçado — apenas reforçou nossas suspeitas.

— Sabemos que são duas pessoas, mas de qualquer forma não sabemos quem são.

— Poderíamos até saber se Louis não tivesse perdido o notebook.

— Merda. Eu já pedi desculpas a vocês, e a culpa não foi totalmente minha.

— Foi você quem nos convenceu a deixar o notebook com você, alegando que estaria mais seguro.

— Então sim, a culpa é sua.

— Que seja, mas o notebook não era nossa única chance de descobrir quem é -A.

— Não, mas era nossa melhor.

  Harry continuou alfinetando Louis. Os amigos o encararam e ele deu de ombros.

— Foi mal, continue.

— Basta apenas sabermos qual de nós esteve mais perto de pegar o desgraçado.

— A maioria de nós recebe ordens por mensagens ou através do Nicholas ou Jason, então continuamos na mesma.

— Eu sei, Mikaelle. Mas pense, tem que ter ao menos uma pessoa que já esteve perto o suficiente.

  Ambos os quatro se entreolharam pensativos, o sinal ecoou anunciando uma nova aula, os quatro pegaram seus livros e sem dizer nada se retiraram da biblioteca, cada qual indo para caminhos opostos, a única a continuar na biblioteca foi Mikaelle, que dentre alguns minutos o viu a poucos metros de distância, ele devolvia alguns livros a bibliotecária enquanto segurava alguns cadernos, ele estava de costas e provavelmente não a veria, então sorrateiramente ela retirou de sua mochila o seu tão preferido livro de romance — na qual tinha certeza que Zayn notara quando a desenhou —, e o deixou sobre a mesa da bibliotecária antes de sair rapidamente de lá. O bilhete na qual havia deixado sobre uma das páginas do livro pendia para fora, o deixando a mostra, sabia que a probabilidade de outra pessoa — que não fosse Zayn — pegar era grande, porém também tinha uma grande porcentagem de o mesmo reconhecer o livro e o pegar. 
  E foram com essas poucas porcentagens que Zayn teve sua atenção voltada ao livro de capa vermelha posto sobre a mesa, ele sabia que o mesmo não estava ali quando chegou, e não pensou duas vezes antes de ir até lá e o pegar, notando ali o bilhete de caligrafia impecável escrita com uma caneta cor de rosa, e logo abaixo a marca do batom vermelho que era tão marcante nos lábios da garota, e com um meio sorriso Zayn guardou o livro em sua mochila e se retirou da biblioteca.   

***

  O sinal tocou e ela fazendo algumas últimas anotações logo fechou os livros e o caderno. A porta da sala estava lotada pelos alunos que tentavam sair dali o quanto antes e ela esperou um pouco. Suspirou colocando uma mecha ruiva atrás de sua orelha e enfim, o notou ali, Era o mesmo Louis com apenas uma diferença, o curativo — ou o que parecia ser um — em seu calcanhar. Ele conversava com alguns de seus amigos do time de futebol enquanto saía da biblioteca — não estavam de fato saindo, e sim parados na porta — porém assim que os mesmos saíram este fez um sinal para que ela o seguisse.
  Ela guardou seus livros e seu caderno em seu armário e logo o encontrou na biblioteca, seguiram um depois do outro em corredores diferentes mas logo se encontraram no de livros de suspense.

— Você não tem aula agora?

— Sim, mas a professora me pediu para buscar alguns livros — assentiu.

— Então presumo que não possa demorar muito.

— Por que essa pressa?

— Porque eu tenho aula — disse dando enfase ao ''eu'', ele revirou os olhos. Ela olhando para baixo notou novamente o curativo e lembrou-se do que queria perguntar — como se machucou?

— E isso importa?

— Claro que sim.

— Não haja como se você se importasse.

— Anda, diz logo como se machucou.

— Isso não é da sua conta — disse aumentando um pouco o tom de voz e recebendo um ''shh' da bibliotecária.

— Qual é o seu problema, hein? Aliás, para o que você me chamou até aqui mesmo?

— É que você parecia tão tensa e eu achei que... — disse prensando-a contra a prateleira de livros logo atrás de si — precisava relaxar.

— Achou mesmo que a gente iria transar aqui, Louis?

— Não exatamente aqui mas... Sim, achei.

— Então sinto-lhe em dizer que isso não vai acontecer.

— Qual é, Stefany? Aposto que isso não vai ser um problema para você — diz e puxa uma mecha de seu cabelo deixando seu pescoço livre e deixando beijos por ali.

— Não, mas para você vai — disse com um sorriso irônico enquanto o empurrava para trás e saía dali.

***

  O corredor estava vazio e a única coisa que ele ouvia eram os sons dos próprios Chuck Taylor's contra o piso bem polido do lugar, ele se dirigiu ao bebedouro metálico mas parou a pouco segundos depois ao ouvir uma conversa. Era uma voz não conhecida mas que para Liam gerava interesse.

— Você não tem o direito de gritar comigo, a culpa de eu ter machucado o tornozelo é sua! Você se sente num nível maior que a média simplesmente por que manda mensagens estúpidas para adolescentes estúpidos, não é? — ele gelou. Tinha ouvido realmente aquilo? Era uma voz masculina e depois de alguns segundos de silêncio Liam pôde dizer que a pessoa já havia encerrado a ligação.

  Correu em direção a parede — ao que parecia ser — paralela á que a pessoa estava. Cabelos, negros, olhos azuis, usava jaqueta de couro e mancava, Liam tentou lembrar-se o máximo que podia daquela pessoa. Tinha quase todas as especificações para ser a pessoa que ele quase pegara naquela noite.

***

"Liam mandou mensagem e disse que precisa falar com nós urgentemente, Stefany e Niall já estão lá com ele'' - Pam.

''Tudo bem'' - (Seu/Nome).

  Ambas sabiam que não podiam conversar por chat na aula de informática já que o Sr. Carlo poderia estar vendo tudo, mas se era urgente provavelmente não haveria problema. Depois de pedirem para irem ao banheiro uma depois da outra elas logo estavam no corredor e se dirigiam até onde Liam dissera que estavam esperando.

— Tenho uma coisa importante a dizer — disseram todos eles em uníssono olhando confusos uns para os outros.

— Ao mesmo tempo? — disseram novamente em uníssono.

— Sei quem -A — e novamente em uníssono.

— Espera, todos vocês viram o Louis com o tornozelo machucado? — quem disse agora foi a ruiva.

— Louis? Na verdade, eu ouvi duas líderes de torcida conversando entre si e uma delas disse que a Mikaelle não ensaiaria pois estava com o tornozelo machucado, então provavelmente é ela.

— Mas eu vi Joe com o tornozelo machucado hoje mais cedo numa aula.

— O professor Jason veio hoje cedo á redação ver uma matéria que estava escrevendo sobre o time da escola e também mancava muito.

— Eu acabei de ver um cara conversando com alguém que pela conversa poderia muito bem ser -A e ele também estava com o tornozelo machucado — todos trocaram olhares confusos — não é possível que existam tantos-A's assim, é?

 Antes que qualquer um deles pudesse responder eles ouviram o vibra call de seus celulares e ao desbloquearem a tela e viram a mensagem nova na caixa de entrada eles todos a leram em uníssono e voz alta.

"Acharam mesmo que seria assim tão fácil? Sou bom em camuflar minhas ações -A"

***

— Okay garotas, em suas posições — disse e apertou o botão do rádio cor-de-rosa logo inciando uma música animada.

E observou as garotas formarem uma grande pirâmide.

— Ótimo, sorriam meninas — e elas o fizeram porém alguns segundos depois caíram e a pirâmide se desfez.

— Isso não teria acontecido se você estivesse na pirâmide — disse uma das garotas enquanto tinha a mão em sua cabeça.

— Aliás, como se machucou? — perguntou outra, enquanto notava o curativo em seu tornozelo.

— Não foi nada demais, logo estarei boa e essa pirâmide funcionará — disse simplesmente.

 O sinal tocou e esta dispensou as garotas enquanto organizava tudo que restara ali. Ela desbloqueou o celular e ainda antes que pudesse fazer qualquer coisa no mesmo sentiu mãos em sua cintura e alguém a abraçando por trás, se virou e encontrou aqueles olhos azuis já conhecidos.

— O que está fazendo aqui?

— Não é isso que importa, o que importa é que estamos sozinhos agora, só eu e você — disse sorrindo e ela tentou empurra-lo de seu abraço sem sucesso.

— Nicholas, me solta.

— Não se faça de difícil Mika, eu sei que não é — disse ainda com o mesmo sorriso no rosto.

— Nicholas, me solta agora!

— Isso tudo é só por eu ter ficado com o carro do Harry?

— Ele é meu irmão e se meteu em problemas, Nicholas.

— E só por isso precisa pegar as dores dele?

— Eu nunca disse que estava o fazendo — disse e o empurrou com mais força — Por que eu estou me explicando para você? — perguntou a si mesma enquanto ainda o tentava empurrar e este a guiava até a parede onde a prensou logo depois. Ele apertava sua cintura com força e não havia nada entre seus corpos colados, embora ela desejasse que sim.

 Como previsto Nicholas não queria e não iria sair de mãos vazias, ela tentava a todo modo desviar dos beijos que ele dava em seu pescoço.

— Nicholas, se afaste de mim, agora!

— Não ouviu? Ela disse para se afastar — disse e o puxou pela gola de sua jaqueta de couro o prensando em uma outra parede dali.

— E se eu não me afastar, uh? O que vai fazer, Zayn? — Mikaelle observava aquilo tudo assustada demais para reparar que quem havia a "salvado" era o garoto que a havia feito o desenho.

— Não teste minha paciência Nicholas, não vai querer saber do que sou capaz — este apenas riu anasalado.

— E o que vai fazer, Zayn? Me bater até a morte e depois me enterrar em algum lugar? — o mesmo sorriso irônico de sempre traspassava seus lábios enquanto ele encarava Zayn com tranquilidade.

 Zayn o puxou mais para perto de si, o garoto cerrou o punho já fechado e sem pensar duas vezes acertou um soco no mais velho que cambaleou para trás dando-lhe mais chances de o acertar novamente, e ele o fez.
  Apenas a risada estridente de Nicholas ecoava pelo ginásio vazio, ele estava caído e ria com a mão na barriga como se nem se desse conta de estar apanhando. Zayn tentava ao máximo controlar sua raiva e Mikaelle apenas tapava a boca com as mãos ainda espantada e sem saber o que fazer.

— Esse é o seu melhor, Zayn? Bem, eu diria que não a julgar pelo estado em que deixou o Jake — não adiantava, Zayn poderia aguentar quaisquer comentários alheios que lhe fizessem, desde que não viesse de Nicholas.

— Desgraçado — sibila o moreno e pôs-se a ir até o mesmo desferindo diversas vezes socos que alternavam entre nariz e lábios.

 Segurando os braços de Zayn — que já lhe daria outro soco — Nicholas inverteu as posições e o deixou abaixo de si enquanto segurava seus braços acima da cabeça.

— Por favor Malik, não sou como o fracote do Winfrey — o sangue escorria pelos cantos de seus lábios que sorriam. E acertou mais um soco em Zayn que virou o rosto um pouco para o lado.

  Nicholas se levantou puxando o garoto pela gola com o braço esquerdo e com o mesmo o prensou firme contra a parede fria. Era certo que Nicholas estava no comando agora e não iria deixar barato para Zayn, o garoto não sabia mais quantos socos havia levados, sabia apenas que alternavam entre estômago e rosto.

— Nicholas, já chega! — gritou a morena tentando-o afastar do garoto, porém ainda sem tirar a atenção de Zayn ele a empurrou a fazendo-a cair sentada.

 Aproveitando a pequena distração de Nicholas para empurrar a garota, Zayn empurrou com força seu joelho contra o estômago de Nicholas que foi empurrado para trás. O menor desferiu um soco em seu lábio e a essa hora Nicholas já estava caído sobre alguns dos materiais das aulas de educação física. Ele parecia meio zonzo e de certo havia batido a cabeça na queda, Zayn o chutou na costela uma última vez.

— Ouse encostar mais um dedo nela e farei pior — ele cuspiu o sangue no chão, a gargalhada do outro novamente ecoando pelo lugar.

— Já encostei mais que apenas um dedo nela, Malik — Zayn respirou fundo mesmo sabendo que teria de acertar mais um soco em Nicholas, fechou os punhos mas antes foi interrompido.

— Hey! Podem parar com isso já, os dois! — o som estridente do apito antes do grito denunciou o professor Jason que acabara de entrar no local — vocês dois deveriam estar em aula! — apontou para Zayn e Mikaelle — e você nem deveria estar aqui! — Nicholas se levantou e Jason apontou a saída do ginásio com o queixo — Senhorita Styles, acompanhe o garoto até a enfermaria — disse e saiu enquanto acompanhava Nicholas até a saída do ginásio.

  Mikaelle enfim se levantou e caminhou até Zayn que continuava estático de costas.

— Não preciso da sua pena.

— Não disse que estou sentindo, Zayn — deu enfase ao "Zayn'' lembrando-se que mesmo que de uma maneira horrível ela enfim descobrira a quem o nome pertencia, ele sorriu embora estivesse de costas e ela não pudesse ver, ela também sorria.

— Ótimo — disse sem o menor traço de ânimo na voz e empurrou a grande porta dali.

— Mas não também não disse que não te levaria até a enfermaria — correu até o garoto, ele se virou lentamente enquanto respirava fundo, ela revirou os olhos e com o indicador tapou seus lábios entreabertos prontos para objecionar — Não vai adiantar protestar, agora vamos logo fazer uns curativos nisso aí — disse puxando sua mão pelos corredores a caminho da enfermaria.

 Zayn os parou ainda na porta da enfermaria, soltou a mão dela da sua e suspirou.

— Por que está fazendo isso? Sabe que não precisa.

— Porque foi eu quem marcou de nos encontrarmos no ginásio — sorriu e ele riu pelo nariz focando o olhar em algum ponto fixo e inalcançável para ela — Aliás, obrigada.

— Está me agradecendo pelo desenho ou por dar uma surra em Nicholas? — um sorriso nascendo em seus lábios finos.

— Por dar uma surra em Nicholas — também sorriu — Aquilo foi demais.

— Eu apanhei — riu anasalado e ela o acompanhou.

— Obrigada também pelo desenho, mas como disse, precisa de um agradecimento á altura — disse e piscou um dos olhos e antes que Zayn pudesse dizer qualquer outra coisa ela abre a porta do local entrando, ele a segue logo depois sorrindo mesmo que sem saber o por quê.

***

  O all star fazendo um barulho irritante contra o piso bem polido, os passos eram precisos e rápidos, a respiração estava um pouco descompassada, e ele segurava os livros com força contra o peito, quem sabe talvez, ele tivesse alguma chance de chegar até a saída a tempo, ou talvez Harry estivesse ocupado demais com alguma líder de torcida e esquecesse sua existência, ele rezava para ser qualquer uma das opções, no entanto assim que virou um dos corredores paralelos ele se deparou com o garoto de cachos.
 Harry estava de braços cruzados apoiado contra um dos armários enquanto mascava despreocupadamente um chiclete, Horan engoliu um seco e apertou com mais força seus livros, quais eram suas chances de passar frente ao garoto sem ser notado? Provavelmente mínimas, e Niall só confirmou isso quando sentiu uma mão o puxa-lo pelo pulso com firmeza, e virando-se ele teve a visão de Harry com um sorriso debochado nos lábios.

— Horan, Horan, achou que eu não daria um jeito de lhe encontrar? — perguntou Harry, arqueando uma das sobrancelhas.

— E-eu? Claro que não, sei como é esperto e... — puxou um pouco a gola de seu suéter, que estranhamente chegava á sufoca-lo em certo ponto — que cedo ou tarde me encontraria.

Harry riu e Niall o acompanhou, rindo de sua própria desgraça.

— Então por que tentou se esconder em sua toca? Hein?! — Agarrou Niall pela gola de seu suéter e o prensou contra o metal gélido do armário — Ratinho... — Completou, proferindo lentamente a palavra. Niall engoliu um seco novamente.

— Ha-Harry eu...

— Calado Horan! Você sabe muito bem o porquê de estar aqui, e não tente usar uma de suas desculpas esfarrapadas pra cima de mim!

— Eu já pedi desculpas! Eu... — fechou os olhos com força e suspirou antes de tornar a abri-los — Eu estudei eu juro, pesquisei e revisei tudo, assim como pediu, eu não...

— Você não o quê?! Não tem culpa de eu ter tirado um A, é isso?! — riu anasalado — desculpas não vão transformar o meu A em um A+, Horan!

— Você já tentou conversar com a Sra.Esme sobre sua nota? — Niall ousou perguntar.

— Já, e sabe o que ela me respondeu, Horan?  Que a nota foi um privilégio, e que ela poderia ter descontado mais pontos por eu ter esquecido a biografia — riu — sabe Niall, eu fico me perguntando se o fato de agora você estar usando lentes interfere na sua inteligência, por que creio que sim.

— Harry por favor, eu... Posso refazer o trabalho, sim?

— Ela não vai aceita-lo mais. Não tente adiar a surra que você receberá agora, Niall.

  O garoto prendeu a respiração, e antes que pudesse divagar mais alguma coisa, sentiu os punhos de Harry contra seu queixo, e logo depois nariz, estômago e rosto. E ele não tinha muito o que fazer, a não ser aceitar as "punições" e gemer de dor a cada novo soco que Harry lhe dava.

— Talvez depois disso você aprenda melhor, Horan — disse Harry, antes de por fim fechar a porta de seu próprio armário, no qual agora Niall estava preso.

  O falso loiro pôde ouvir os passos de Harry se afastando e suspirou num misto de alívio e preocupação, alívio por aquela tortura ter acabado, e preocupação pelo seu nariz arrebentado que não parava de sangrar. Niall se remexeu desconfortavelmente contra o pequeno espaço, enquanto procurava por um clips em seu bolso que pudesse o ajudar a sair de lá antes que resolvesse ter um ataque de asma, e dessa vez, sem Kevin para ajuda-lo a sair dali. 
  E como se para piorar tudo sentiu algo cair em sua cabeça, murmurou um xingamento enquanto passava a mão na cabeça, e foi aí que ele percebeu o pequeno diário de couro marrom, ele o pegou e o abriu, e como se instantaneamente, reconheceu a caligrafia. Um sorriso transpassou seus lábios finos, sua sorte estava mudando afinal, pois ele acabara de achar o diário de Harry Styles.

CONTINUA...

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Hello my liars! Tudo bom com vocês? Espero que sim :D
Primeiramente gostaria de agradecer a todas vocês pelos comentários do capitulo anterior, sério vocês são demais, continuem assim u-u  
E segundamente, esse capítulo quase que não saiu gente hehe sério, ele já estava pronto só faltava betar, porém o meu teclado resolveu quebrar pra ajudar tudo, tanto que estou escrevendo isso pelo teclado virtual, PRA VOCÊS VEREM MINHA SITUAÇÃO! Então estou aceitando um teclado novo via sedex hehe
Enfim, espero que tenham gostado muito desse capítulo, comentem quais suas partes favoritas, e quem vocês acham que é a pessoa que o Liam quase raptou, Joe, Nicholas, Louis, Jason ou Mikaelle?? E aí? Qual as suspeitas de vocês? E quem aqui gostou da parte de Zaellyn? E o que acham que o Niall vai fazer com o diário do Harry? Uh?
COMENTEM MUITO!


a você que leu, Sara ama você <3