Irish Angel - Capítulo um.

Eu sei que você está sentindo um vazio por dentro e é difícil engolir. Mas se eu me apaixonar por você, eu nunca vou me recuperar. Se eu me apaixonar por você, nunca mais serei o mesmo... / Maroon 5. Love Somebody
"Piloto"
Você P.O.V's

         O frio de Londres estava terrível, pior que os outros dias, as ruas estavam vazias e o céu estava dando sinal que essa madrugada com certeza nevaria, ergui meus ombros e puxei as mangas da minha blusa de moletom enquanto andava lentamente até a minha casa. Virei a rua escura próxima a minha casa, a lua era meu guia, olhei diretamente a minha casa de onde eu estava dava para vê-la perfeitamente em cores salmão com duas janelas extensas em cores laranjas que eu já disse a minha mãe que é a cor mais estranha que eu já vi. Eram 2:42 da manha, e as luzes da minha casa estavam acessas, eu não queria acreditar que a minha mãe estava acordada a essa hora, ela sabe que não pode, quantas vezes vou ter que falar. Tirei a chave de dentro do meu bolso e parei em frente a porta, olhei em volta e a rua estava vazia e o frio estava pior, suspirei e coloquei a chave na porta, mas ela não virou, a porta já estava aberta, a empurrei com o pé e entrei devagar, as luzes da sala e da cozinha estavam acessas mas não tinha ninguém ali. Varri os lugares com os olhos enquanto caminhava até o meu quarto tirando a touca e a luva que me vestia na verdade. Joguei os panos em cima da cama e me virei para ir ao quarto do Justin ou pro quarto da Jasmine minha irmã mais nova. Ao virar a coluna que dividia a cozinha, o meu quarto e a sala eu bati minha testa, na testa de alguém e eu quase cai no chão. Coloquei minhas mãos rapidamente na cabeça e fiz um barulho de dor com os dentes e ergui minha cabeça pra ver quem tinha chocado contra mim, lógico já era de se esperar, JUSTIN!

Justin: Que droga SeuNome que horas você chegou? Que droga, minha cabeça.
Eu: Eu acabei de chegar. -disse baixo olhando pra ele e vendo ele se contorcer com a mão na testa- Cadê a mamãe?
Justin: Foi levar a sua amiga em casa.
Eu: MINHA AMIGA? QUE AMIGA?
Justin: Para de gritar, você não viu que acabou de me causar uma dor de cabeça?! -ele disse se virando e indo até a sala e se jogando no sofá-
Eu: Que amiga era Justin? -me encostei nas costas do sofá e olhei para ele que estava com os olhos fechados-
Justin: Uma do cabelo castanho, alta...
Eu: MAS A MAMÃE NÃO PODE SAIR DE CASA SOZINHA! -gritei enquanto o vi fechar os olhos com força demonstrando dor.-
Justin: SeuNome... -ele suspirou- O papai voltou. -arregalei meus olhos e me virei no sofá para sentar no mesmo.- E ele foi com ela
Eu: O que você disse? -ele finalmente abriu os olhos e me olhou- Que papo é esse Justin? Conta pra mim.
Justin: Ele chegou faz duas horas. -levantei-
Eu: Eu não vou ficar aqui, eu vou sair... vou andar pela cidade e amanhã de manhã quando ele sair você me manda uma mensagem e diz que ele foi embora tá?
Justin: Mas SeuNome... -ele sentou no sofá- Você ainda tem medo dele? Você acha que ele vai falar o que? Encostar você em uma parede e dizer “Ah por sua culpa seu avô morreu”. -sequei uma lágrima que insistia em cair-
Eu: Justin, para! -disse com voz de choro-
Justin: Me desculpa. Eu sei que não foi culpa, todos sabemos... por quê ainda tem medo do papai?
Eu: PORQUE O CARA QUE EU DEIXEI MORRER É PAI DELE, ISSO JÁ NÃO EXPLICA. Justin o papai disse pra mim pelo telefone “Poxa, você me decepcionou, por que você fez isso? Porque você escolheu essa maneira de conseguir as coisas, olha só o que você fez” -eu disse chorando e Justin me encarava- Ele disse “Não apareça na minha frente, eu te acho uma irresponsável, fútil.”
Justin: Ele disse isso, porque estava chocado com o que você tinha feito, não que ele tava com raiva de você, ele é seu pai, você é filha dele... ele te ama assim como ama eu e a Jasmine, pare de pensar que ele não quer te ver, porque ele quer sim. Toda vez que ele chega em casa ele pergunta “eu tenho uma filha de 15 anos, mas aonde está ela?” e a gente sempre responde “Na casa de uma amiga” porque não queremos que ele saiba que você tá fugindo dele, SeuNome ele não está te culpando, você mesma está se culpando. -ele disse baixo e as palavras pareciam ser cuspidas da sua boca-
Eu: Justin mas eu tenho medo, e esse medo me consome... eu não quero que ele me olhe e lembre de tudo que eu fiz, eu me arrependo disso tudo mas e ele? Será que ele sabe que eu me arrependo? Será que ela sabe que eu tenho vergonha de ser quem eu sou? Será?
Justin: Tá certo SeuApelido. Eu não vou te prender aqui, se você quiser ir andar por Londres nesse dia frio, vai lá. Ande, chore, se arrependa novamente de tudo que você fez a dois anos atrás, mas lembre-se isso não vai fazer com que o seu passado mude, apenas vai fazer com que você se culpe mais e mais, se você ficar e conversar com o papai talvez toda essa culpa passe e assim você conseguirá deitar sua cabeça no travesseiro. Isso é uma escolha sua. E ai, qual vai ser?

         Ficamos em silêncio enquanto eu decidia se eu ia fazer que nem das outras vezes ou se eu ia ficar e enfrentar o que estava por vir a minha frente, e se ele me olhasse com cara de desprezo assim que me visse e lembrasse das coisas que fiz? Das coisas que eu fiz meu avó passar, se ele lembrar das vozes dos policiais dizendo a ele o que eu fiz para acabar com a vida do meu avó.

Flashback ON.

         O sol do Brasil é maravilhoso, dependendo em que região você vive ele é muito quente, ou ele é bom. Mas sempre as 10:00 da manhã, ele vai ser a melhor forma de aquecimento pra quem acordar a essa hora, quem estiver ainda com o coração batendo devagar e com o sono lhe rondando. Era bom sentir aquele calor natural em minha pele as 10:15 da manhã, era algo que eu simplesmente amava sentir. Escutei algumas risadas vindo da sala mas permaneci ali no quintal sentada sentindo o sol me aquecer. Olhei para a porta que havia sido aberta e Aline e Camila saíram de lá, elas estavam com mochilas nas costas e rindo alta, aquela gargalhada que brasileiro dá. Exatamente!
         Elas sorriram e caminharam até a mim, Aline sempre andava mais rápido que a Camila então foi a primeira a chegar perto de mim, ela sem exitar sentou-se ao meu lado e sorriu.

Aline: Em pleno sábado as dez e meia da manhã e você vai ficar aqui sentada nesse chão seco e tomando sol? -ela perguntou enquanto brincava com os dedos-
Eu: O que vocês vão fazer hoje? -disse encarando a Aline cerrando meus olhos que o sol insistia em irritar-
Aline: Vamos fazer uma trilha. -soltei uma gargalhada-
Eu: Trilha Aline?
Aline: Ué, por quê? Minha mãe disse que tem uma trilha muito legal aqui perto, não tem bandidos, não tem animais, supertranquila de andar.
Camila: E no final dela ainda tem uma cachoeira com a água azul cor do céu. -Camila fez gestos com a mão enquanto falava, ela permanecia de pé-
Aline: E então, além de andar pela floresta, fazer piquenique ainda vamos nadar na cachoeira, hoje será um dia saudável, o que acha de ir com a gente? Seus irmãos vão!
Eu: Não Aline, não vai dar hoje... eu combinei de ir a uma joalheria com o Carter e a Rachel.
Aline: Tem certeza SeuNome? Eu não gosto desses dois, eles são furada.
Camila: Eu também não, aquela Rachel me irrita ainda mais quando ela começa com as histórias mentirosas dela que já usou drogas, já roubou lugares grandes, que matou milhares de gado em uma fazenda, eu não gosto dessa menina. -ela disse fazendo um careta-
Aline: É, o Carter parece ser legal, mas ele anda de um jeito esquisito tá sempre com os olhos vermelhos e com muito dinheiro, a família dele nem é tão rica pra ele andar com tanto dinheiro no bolso.
Eu: Olha eu sei que vocês não gostam deles, mas não precisa criticar né poxa, eles são meus amigos.
Aline: Ah então tá bom, estamos indo qualquer coisa liga pra gente.
Camila: Aline, nós estaremos no meio de uma floresta, como você quer que ela ligue pra gente?
Aline: Com o celular, oras.
Camila: Mas não pega sinal. -Aline fez uma careta-
Aline: Então... -disse pensativa- Sei lá. Liga pro batmam -ela falou isso e a Camila riu e ambas saíram andando.-

         Dei ombros e voltei a fechar os olhos sentindo o sol queimar meus ombros, meu rosto, minhas pernas.. aquilo era perfeito.

[…]

         Era quase meia noite, minha mãe disse que os meninos (Justin e Jasmine) dormiriam na trilha com a Aline e a Camila, meu pai e ela iriam para uma festa da minha tia Rose, e então estava tudo perfeito, daqui a alguns minutos eu iria para a joalheria com a Rachel e o Carter.
         Não deu nem 10 minutos que os meus haviam saídos e eu escutei a campainha tocar, coloquei uma blusa com capuz e saí, encontrei com a Rachel que também estava com uma blusa de capuz e Carter com uma touca preta, do lado de fora da minha casa.

Eu: O que vamos fazer?
Rachel: Te contamos no carro. Vem?

         Assenti e fomos até o carro, entrei no banco de trás e Carter sorriu pra mim através do retrovisor, sorri sem graça e ele ligou o carro saindo. Não demorou nem meia hora e já estávamos em frente a joalheria, Carter parou o carro e entregou alguma coisa na mão da Rachel, que desceu do carro.

Carter: Vem SeuNome, desce também! -assenti e desci do carro, Carter me puxou e fomos pra frente da porta aonde Rachel estava abaixando enfiando alguma coisa na fechadura, ela estava invadindo o local, certo eu tava com 13 anos, não era burra e nem otária pra não saber o que eles estavam fazendo-
Eu: Por quê vocês estão fazendo isso? Vocês vão roubar? -perguntei olhando pro Carter-
Carter: Na verdade, você vai roubar. -arregalei meus olhos-
XXX: SeuNome... filha! -ouvi uma voz rouca soar do meu lado e era meu avó, olhei para todos os lados e deixei o medo me dominar, meu avó se aproximou de mim e deu um pequeno sorriso- O que faz aqui a essa hora? Vamos embora filha, vamos pra casa tomar chá como fazemos eu, você e a Aline, vamos? -olhei para o Carter e ele fez um breve sinal que não com a cabeça, e logo levantou uma arma que eu não tinha visto em suas mãos-
Eu: Eu tenho que ficar vô.
MeuAvô: Por favor minha querida, você quanto eu sabemos que você não quer isso... é errado!
Eu: Eu vou ir. -disse olhando pro Carter-
Carter: Não SeuNome, você vai ficar, você veio até aqui e vai fazer o que eu mandar. -ele veio na minha direção levantando sua mão com a arma prendida em seus dedos, arregalei meus olhos, senti um calafrio que passará pela minha espinha nas costas, comecei a me desesperar e comecei a chorar.
MeuAvô: Por favor menino, solte isso... deixe minha neta vir comigo. Eu preciso que o senhor faça isso pela humanidade. -Carter encarou meu avô que fazia uma feição de dor-
Eu: Carter! -supliquei-

         Carter me puxou pelo braço e o meu avô tentou me segurar pelo braço, mas Carter me puxou mais rápido, Rachel já havia aberto duas trancas faltavam três, Carter olhava impaciente enquanto eu chorava baixo. Ele me olhou e deu uma coronhada com sua arma de leve na minha cabeça, mandando eu me calar, segurei o choro, e assim Rachel abriu outra tranca, olhei pro meu avô e ele segurava um celular nas mãos, com certeza ligando pra polícia lembrei que ele já havia trabalhado para a polícia e estava aposentado então ele podia chamar a mesma que viriam rápidos na mesma hora, tremi e Carter notou o que meu avô estava fazendo, rapidamente Carter me soltou e eu quase caí e ele foi pra cima do meu avô.

Carter: Droga velho miserável, o que um velho como o senhor está fazendo na rua a essa hora? -ele disse indo pra cima do meu avô o derrubando no chão com força-
Eu: CARTER. -gritei e ele começou a bater no meu avô que não tinha resposta-

         Rachel parou de abrir as trancas e me olhou eu corri de imediato pra cima de Carter e ele continuava batendo no meu avô, até que escutei um disparo, cai ajoelhada no chão ao ver Carter levantando com os olhos arregalados de medo e desespero, meu avô sangrava já pelo nariz, minhas mãos estavam trêmulas e eu senti meu mundo parar, a voz da Rachel dizendo “Vamos vazar” foram as únicas que ecoaram no meu ouvido naquele momento, e foi quando ouvi o barulho de uma sirene alta invadir o local, deitei minha cabeça no peito do meu avô que já não respirava mais, senti me puxarem e quando olhei em volta um policial me segurava enquanto outro gritava ao ver meu avô no chão, o mesmo também chorava, eu me senti culpada. E naquele momento eu queria simplesmente desaparecer.

Eu: Foi tudo culpa minha. -eu conseguir por fim dizer antes que o homem me arrastasse pra dentro de sua viatura.-

Flashback OFF.


         Eu simplesmente deveria ter ficado em casa, e foi a partir desse dia que eu comecei a ver a realidade que restava a minha volta, que as pessoas que mais confiamos, as pessoas que achamos que são as nossas verdadeiras amizades são aquelas que mais prejudica a nossa vida. E Se eu tivesse ficado em casa? E se eu tivesse ido pra trilha? E se eu tivesse escutado o meu avô? E se eu tivesse aceitado o que meu coração mandava fazer? Talvez isso tudo não teria acontecido, talvez hoje eu não pagaria pelos meus pecados. Talvez nada disso seria culpa minha. Rachel e Carter não foram muito longe, pagaram o que deviam, na verdade eles pagam até hoje, doze anos de cadeia.  

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8 comentários:

  1. Aaaaaaaaaah eu vo ler agora, só queria comentar que sou a PRIMEIRA UAHSUAHSAHSA TU É FODA, CERTEZA QUE TÁ PFTOOOO <33

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  2. Duda.Druzian11/06/2013 00:42

    Continua, esta perfeito!

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  3. Muito bom continua s2

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  4. Ebbbbbbaaaaaaaaa! P-E-R-F-E-I-T-O

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  5. liiiiiiiiiiiiiimdo o cap. amei amei amei
    coontinua pooor favoooor
    esta PERFECT

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  6. Peerfeito dmaais *u*

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  7. Simplesmente Perfeito, continua!!
    Kissus

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